EFE/PRENSA MIRAFLORES
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Maduro discute medidas para enfrentar eventuais sanções dos EUA

Presidente chavista afirmou que irá ‘mobilizar uma grande força anti-imperialista’ e no dia 30 vai ‘derrotar todos os planos intervencionistas do Império’

O Estado de S.Paulo

19 Julho 2017 | 08h33

CARACAS - O governo da Venezuela advertiu os EUA que avançará com a eleição da Assembleia Constituinte, apesar da ameaça de sanções econômicas como parte de uma crescente pressão internacional que busca obrigar o presidente Nicolás Maduro a retirar o projeto.

"Se Donald Trump (...) se atreveu a dizer Constituinte não, nós lhe dizemos: Constituinte sim, sim, sim. Constituinte agora ou nunca", declarou Maduro ao abrir uma reunião do Conselho de Defesa. "Vamos mobilizar uma grande força anti-imperialista e no dia 30 de julho vamos derrotar todos os planos intervencionistas do Império (EUA), de seus lacaios da América Latina e do mundo.”

Ao anunciar uma série de medidas para enfrentar a ameaça de Trump, o presidente informou que nesta quarta-feira, 19, será deflagrado um "plano especial de justiça de emergência (...) para a busca e captura de todos estes conspiradores e para um castigo exemplar". Maduro explicou que o plano combinará esforços do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), da Justiça Militar e do Ministério do Interior.

Segundo o presidente venezuelano, o Conselho de Defesa também discutiu medidas econômicas para enfrentar as eventuais sanções, já que os EUA são um dos principais compradores do petróleo da Venezuela, praticamente o único produto de exportação do país.

Donald Trump assegurou na segunda-feira que "tomará rápidas e fortes medidas econômicas" se Maduro insistir em realizar, no dia 30 de julho, a eleição da Constituinte, a qual a oposição considera uma "fraude" do chavismo para se perpetuar no poder e fazer da Venezuela "outra Cuba".

"Os EUA não ficarão passivos enquanto a Venezuela desmorona", afirmou o republicano em nota oficial, sem detalhar o alcance das medidas. Segundo o presidente americano, apesar de 7,6 milhões de venezuelanos terem votado contra a Constituinte no domingo em um plebiscito simbólico organizado pela oposição, essas ações são "ignoradas por um mau líder que sonha em se tornar um ditador".

Pressão

Além dos EUA, a União Europeia (UE), o secretário-geral da OEA, Luis Almagro, e os governos de Espanha, Alemanha, Canadá, Brasil, Argentina, México, Colômbia, Peru e Panamá pediram a Maduro que desistisse do projeto. O mandatário rechaçou esses pedidos e chamou de "insolente" a chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Federica Mogherini, que não descartou sanções.

Maduro foi particularmente duro com seu homólogo colombiano, Juan Manuel Santos, afirmando que "não governa nem a Colômbia, mas acredita ser o presidente da Venezuela". "Ele está fazendo um papel realmente terrível na história e ficará marcado. Será por muitos e muitos séculos um traidor", disse o líder chavista.

Para Maduro, o governo de Santos deixou como saldo o "maior desastre já ocorrido na Colômbia". "Destroçou a vida social, política, moral e econômica da Colômbia. (...) Se acha presidente da Venezuela. Jamais um oligarca de Bogotá dará ordens ou governará a pátria de Simón Bolívar", afirmou.

A França pediu, na segunda-feira, "diálogo sincero" para resolver a crise, enquanto uma centena de legisladores da Colômbia e do Chile denunciaram Maduro à procuradoria do Tribunal Penal Internacional (TPI) em Haia por violação de direitos humanos.

O chanceler venezuelano, Samuel Moncada, afirmou que, com suas ameaças, os EUA "cavam" um "fosso" em suas relações com a Venezuela - ambos os países estão sem embaixadores desde 2010 -, e acrescentou que, por ordem de Maduro, fará uma revisão profunda dos vínculos bilaterais. "Não aceitamos humilhações de ninguém", manifestou. / AFP e EFE

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