Maduro discute dívida com setor aéreo e adverte que fica no país 'quem quiser'

Maduro discute dívida com setor aéreo e adverte que fica no país 'quem quiser'

Crise nos céus. Presidente acusa companhias de aviação estrangeiras de 'absurda imposição de preços' de passagens; empresas reclamam que Caracas não concede dólares para a conversão de seus ganhos em bolívares com as vendas que fazem na Venezuela

CARACAS, O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2014 | 02h01

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, ordenou na noite da segunda-feira que seus ministros resolvam os assuntos pendentes com as companhias aéreas estrangeiras que atuam na Venezuela, estabelecendo regras claras para que a crise no setor seja superada. O país deve, segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês) mais de US$ 4,1 bilhões às empresas.

A dívida entre Caracas e as linhas aéreas decorre do rígido controle do câmbio que o governo aplica.

Desde 2013, as autoridades econômicas do país não têm convertido para dólares o ganho que as companhias obtêm com a venda de passagens na Venezuela, em bolívares. Isso fez com que a Air Canada, por exemplo, suspendesse suas operações temporariamente no país e outras empresas, como a American Airlines, reduzissem em até quase 80%, suas operações na Venezuela.

"Dei a ordem ao vice-presidente de Economia (Rodolfo Marco Torres) para que solucione essa situação já, empresa por empresa, resolva com cada uma - e lhes diga: (se) você vai trabalhar na Venezuela, essas são as regras do jogo. Uma a uma, mesmo que fique só uma na Venezuela", disse Maduro em uma reunião ministerial televisionada no fim da noite, sem esclarecer se essa "resolução" significará o pagamento da dívida bilionária.

A Associação de Linhas Aéreas na Venezuela (Alav) avaliou positivamente a fala de Maduro, porque a solução da situação "passa pelo cumprimento (...) dos compromissos assumidos" pelo governo.

O presidente afirmou que as companhias aéreas estrangeiras cometem irregularidades como "especulação nos preços, utilização da venda e revenda de passagens para justificar (o recebimento de) dólares e tirá-los do país", além da "absurda imposição de preços, muito, mas muito acima dos mercados similares de países vizinhos".

Segundo Maduro, que acusou as empresas aéreas ainda de fazer com que a Venezuela fique "isolada internacionalmente", "chegou a hora" de resolver "imediatamente essa situação".

"Se ficou um, ficou um, se todos se forem, se foram todos. Já vamos resolvendo e a Venezuela seguirá adiante", disse, sem mencionar prazos.

Dinheiro público. O presidente anunciou a aprovação de US$ 739 milhões para a compra de medicamentos e insumos hospitalares para os sistemas público e privado de saúde, que enfrentam grave escassez, informando que estão detectados 634 casos de febre chikungunya e 12.081 de dengue no país.

Mais cedo, a Comissão Permanente de Finanças e Desenvolvimento Econômico da Assembleia Nacional tinha aprovado cinco créditos adicionais para os atuais orçamentos de vários organismos do governo venezuelano, na ordem de 79,4 bilhões de bolívares.

Disputa internacional. O tribunal de arbitragem do Banco Mundial deverá emitir até o fim desta semana sua decisão sobre a disputa entre a Venezuela e a Exxon Mobil, que pede US$ 10 bilhões de compensação pela nacionalização de seus ativos no território venezuelano, ocorrida em 2007. Cálculos preliminares, porém, indicam que a multinacional com sede nos EUA será compensada com um valor muito inferior.

Oposição. O recém-empossado secretário executivo da Mesa da Unidade Democrática, aliança que reúne os partidos de oposição na Venezuela, convocou ontem para o sábado uma passeata por bairros populares de Caracas para apresentar seu "Plano Nacional de Mobilização". Jesús "Chuo" Torrealba tuitou que a marcha partirá de Los Cortijos na direção de Petare. / EFE e REUTERS

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