Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Maduro diz que 2016 o ensinou a ser um 'presidente melhor'

Presidente também estendeu pela segunda vez em menos de duas semanas a vigência da cédula de 100 bolívares, uma nota que deveria sair de circulação na próxima segunda-feira

O Estado de S. Paulo

30 Dezembro 2016 | 05h00

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse nesta quinta-feira, 29, que 2016 o ensinou a ser um "melhor presidente" e a ser "mais poderoso que todos os obstáculos" que se apresentarem em seu caminho. O presidente afirmou que só ele tem "um plano" para encarar os dois anos que estão por vir.

"Eu dou graças ao ano de 2016 porque me ensinou a ser uma melhor pessoa, melhor líder, melhor presidente. O ano de 2016 me ensinou que sou mais poderoso que todos os obstáculos, que todos os ataques que possa sofrer", disse Maduro em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão.

O presidente afirmou que "só um governo com um projeto bolivariano, um governo revolucionário, pode suportar, enfrentar e superar todas as dificuldades e todos os ataques" que sofreu este ano.

"Só eu tenho o plano, aqui está o plano da pátria, só os revolucionários, as revolucionárias, os bolivarianos podemos, só os chavistas temos um plano, um projeto para encarar os dois anos formosos de expansão e crescimento que vamos viver", acrescentou.

Maduro também afirmou que 2017 e 2018 serão anos "de expansão econômica, social, política, espiritual e cultural" da Venezuela.

Este ano, o líder venezuelano denunciou que, ao longo de seu mandato, a oposição, em cumplicidade com empresários e com o apoio dos Estados Unidos, declararou uma "guerra econômica", que seria o motivo pelo qual o país tem a inflação mais alta do mundo e vive uma grave crise de escassez de produtos básicos.

Madudro acusou, além disso, seus adversários políticos de planejarem um golpe de Estado e assinalou que parte desse plano é organizado no Parlamento, que este ano passou a ter maioria opositora, pela primeira vez desde a chamada "revolução bolivariana".

A oposição reunida na Mesa da Unidade Democrática (MUD) tentou sem sucesso este ano ativar um referendo para revogar o mandato de Maduro, e um processo para determinar a responsabilidade do presidente na crise econômica, política e social que sofre o país está em curso no Legislativo. 

Bolívares. Ainda hoje, Maduro estendeu pela segunda vez em menos de duas semanas a vigência da cédula de 100 bolívares, uma nota que deveria sair de circulação na próxima segunda-feira quando se esperava que o novo cone monetário já estivesse nas mãos dos venezuelanos.

Maduro tinha anunciado a saída da cédula de 100, a de maior denominação e equivalente a US$ 0,15, no último dia 11 de dezembro e advertiu que em apenas 72 horas perderia sua vigência, mas, pouco após intensas jornadas de depósitos desta nota, anunciou uma primeira prorrogação até 2 de janeiro.

O presidente reiterou que durante o mês de dezembro esteve enfrentando "máfias" que "roubavam" as notas de 100 bolívares, o que o levou a tomar a decisão de tirá-las de circulação.

O primeiro anúncio da retirada da nota de 100 bolívares em apenas 72 horas levou os venezuelanos a comparecer precipitadamente para depositar seu dinheiro ou desfazer-se das cédulas, o que degenerou em distúrbios no interior do país, sobretudo no Estado de Bolívar onde morreram três pessoas em meio aos protestos. / EFE

 

Mais conteúdo sobre:
Nicolás Maduro Venezuela

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.