Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Maduro diz que a 'revolução' seguirá na Venezuela 'com ou sem OEA'

Presidente atacou Luis Almagro, chefe do órgão interamericano, que pediu eleições gerais

O Estado de S.Paulo

19 de março de 2017 | 01h22

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou neste sábado, 18, que a "revolução bolivariana" seguirá no país e que ele continuará lutando por justiça, igualdade e socialismo, "com ou sem a Organização dos Estados Americanos".

"A OEA está caindo aos pedaços, com a desnaturalização aberrante que lhe impôs seu secretário-geral, almugre", disse, em um trocadilho com o nome de Luis Almagro, chefe da OEA, e a palavra sujeira em espanhol. "Com ou sem a OEA, a revolução bolivariana seguirá em luta."

Durante um ato com trabalhadores no palácio presidencial de Miraflores, Maduro disse que Almagro - que propõe a aplicação da Carta Democrática Interamericana contra a Venezuela - é um "bandido e traidor".

"Não será suficiente o caldeirão do inferno para que se castigue a desonra e a traição de Almagro com a causa bolivariana, e sua pretensão de agredi-la e intervir nela", atacou.

Em uma carta destinada ao Conselho Permanente da OEA, Almagro pediu na quarta-feira passada que se aplicasse as sanções previstas no estatuto do órgão contra a Venezuela caso o país não realizasse eleições gerais em breve, como pede a oposição e alguns países vizinhos.

O pleito presidencial está previsto para dezembro de 2018. Já o de governadores, que deveria ocorrer no final do ano passado, foi adiado para 2017, porém ainda não tem data marcada.

O presidente do Parlamento venezuelano, Julio Borges, da oposição, pediu neste sábado que os governos latino-americanos apoiem a OEA em uma solução para a crise política, econômica e institucional no país.

A carta de Almagro é uma versão atualizada do informe sobre a Venezuela que o ex-chanceler uruguaio apresentou em junho e que provocou um debate no órgão, ainda sem conclusão.

A aplicação da Carta Democrática dá poder à OEA de intervir em caso de alteração constitucional e, em última instância, a suspender o país envolvido em conflito.

Segundo Almagro, o governo venezuelano "viola com impunidade os direitos dos cidadãos, mantém presos políticos de oposição, tortura, rouba, corrompe, trafica drogas e mantém sua população submetida à falta de alimentos, de medicamentos e de dinheiro para se manterem". / AFP

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