Maduro diz que colombiano matou deputado chavista

Segundo presidente, o paramilitar 'dirigiu todo o processo de preparação do crime de maneira meticulosa' por mais de três meses

O Estado de S. Paulo

15 de outubro de 2014 | 20h11

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse na noite desta quarta-feira, 15, em uma entrevista coletiva, que um paramilitar colombiano chamado Padilla Leyva, conhecido como ‘El Colombia’, planejou e liderou o “brutal assassinato” do deputado Robert Serra. Ele e a assistente María Herrera foram mortos no início do mês em sua casa, em Caracas.

Segundo Maduro, os assassinos foram filmados e provas recolhidas “revelam” a identidade de um grupo paramilitar que cometeu o crime. O presidente disse que os suspeitos se prepararam por mais de três meses, dirigidos diretamente pelo paramilitar colombiano. 

Maduro disse que o paradeiro de Leyva estava para ser localizado. “Sabemos onde se move, mas falta a identificação legal”, declarou. “O paramilitar colombiano dirigiu todo o processo de preparação do crime de maneira meticulosa.” 

O presidente afirmou que oito pessoas participaram da ação: seis entraram na casa e cometeram o assassinato de Serra e de sua assistente e dois ficaram em veículos das imediações. Na terça-feira, um tribunal de Caracas ordenou a prisão de Edwin Torres e Carlos García por estarem supostamente relacionados com os homicídios. As prisões não foram mencionadas por Maduro. 

Na entrevista coletiva, segundo a TV Telesur, o presidente apresentou um vídeo com uma sequência de “atos violentos” desde 12 de fevereiro – quando tiveram início os protestos contra o governo – segundo ele, cometidos para desestabilizar seu governo. 

O vídeo cita um suposto vínculo entre o ex-presidente da Colômbia Álvaro Uribe com dirigentes da direita venezuelana que teriam “ameaçado os líderes do governo venezuelano”. 

Economia - Especialistas afirmaram hoje que a brusca queda dos preços do petróleo está pressionando o governo Maduro a tomar medidas necessárias, porém impopulares, para corrigir a economia venezuelana em recessão. O preço do barril do petróleo atingiu seu menor valor desde 2010 nos últimos meses. 

O preço do barril do petróleo, fonte de 9 a cada 10 dólares que entram na economia do país, caiu nos últimos meses ao seu menor valor desde 2010. “Se o governo não fizer ajustes, qualquer preço anual abaixo dos US$ 90 o barril será um problema”, disse Benjamin Ramsey, analista da JP Morgan para a América Latina, em entrevista à agência Reuters. Ele se referia ao preço médio da cesta venezuelana que, para este ano, alcançou US$ 94,99 por barril.

Ontem, o presidente da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA), Eulogio Del Pino, disse que o mercado de petróleo entrou em uma “guerra de preços” que não interessa a ninguém. “Esta situação não convém a ninguém, nem aos produtores, nem aos consumidores”, declarou Del Pino, na ilha venezuelana de Margarita. 

Maduro tem atrasado a aplicação de uma série de ajustes propostos para o aumento do preço da gasolina mais barata do mundo. Mas para os especialistas, ele precisa agir rápido. “O governo tem cada dia menos margem de manobra”, disse Diego Moya-Ocampos, analista da empresa IHS. 

Importação. O navio com as primeiras importações de petróleo da história da Venezuela partiu da Argélia, segundo o jornal venezuelano El Universal. O produto argelino, mais leve, será usado em uma mistura para estimular as vendas do petróleo venezuelano, pesado. / REUTERS

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