Meridith Kohut/The New York Times
Meridith Kohut/The New York Times

Maduro diz que morte de jovem em protesto ocorreu em ‘circunstâncias estranhas’

Presidente venezuelano afirmou que a bala que matou Miguel Castillo foi ‘disparada de armas não convencionais’, e ordenou a ‘investigação e o castigo’ aos funcionários que abusarem da força física contra os cidadãos

O Estado de S.Paulo

12 Maio 2017 | 11h14

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse na quinta-feira que o jovem Miguel Castillo, morto na véspera durante um protesto contra o governo chavista, morreu "em circunstâncias estranhas", e indicou que, diante de algumas denúncias de "abusos de autoridade", ordenará castigo ao funcionário que fizer uso de tais práticas.

"Morreu em estranhas circunstâncias um jovem em Las Mercedes (leste de Caracas). Está sendo investigado, outra vez morreu por (...) uma bala de chumbo, que somente pode ser disparada de armas não convencionais", disse o presidente em um ato transmitido em rede uma de rádio e televisão.

"Foi assassinado a cinco metros, doloroso. Aqui está a esfera metálica", comentou o chavista, mostrando a foto de uma bala de chumbo, a qual garantiu ter sido extraída do corpo de Castillo.

Maduro declarou que também morreu um "jovem trabalhador", identificado pelo Ministério Público como Anderson Enrique Dugarte, mototaxista de 32 anos que foi baleado no Estado de Mérida.

"Morreu baleado por um franco-atirador desses que a MUD (aliança opositora Mesa da Unidade Democrática) colocou em alguns lugares do país para atacar o povo", assegurou, acrescentando que "a Venezuela é vítima de uma emboscada nacional e internacional do fascismo".

Além disso, Maduro disse que "foram feitas denúncias sobre abusos de autoridade de alguns funcionários" e "imediatamente" ordenou "a investigação e o castigo a qualquer funcionário que abuse da força física contra qualquer cidadão".

O presidente ressaltou que também pede que se investigue "o golpe de Estado" que assegura estar sendo promovido pela "direita", e defendeu a atuação da Guarda Nacional e da Polícia Nacional Bolivariana, que têm se encarregado de reprimir os protestos.

Há pouco mais de um mês, a Venezuela é palco de uma onda de manifestações, que em algumas ocasiões se tornaram violentas e deixaram um saldo de 39 mortos, centenas de feridos e quase 2 mil detidos. / EFE

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