Maduro diz que não há espaço para 'traições' no governo

Presidente venezuelano pede que chavistas permaneçam unidos após demissão de ministro expor divisões entre governistas

O Estado de S. Paulo

19 de junho de 2014 | 16h08

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou na quarta-feira 18 que não há espaço para "traições" no projeto revolucionário iniciado pelo ex-presidente Hugo Chávez e criticou o "grande ego" de alguns companheiros políticos. "Jamais, sob nenhuma circunstância ou desculpa. Não há desculpa para a traição de alguém ao projeto revolucionário", disse o presidente durante o Conselho de Ministros no Palácio de Miraflores.

Maduro fez a declaração no mesmo dia que foi publicada uma carta do ex-ministro do Planejamento Jorge Giordani criticando a falta de liderança do presidente e o mau uso do dinheiro público. "É doloroso e alarmante ver uma Presidência que não transmite liderança e parece querer firmá-la por meio da repetição, incoerente, das abordagens feitas pelo comandante Chávez", diz a carta.

A demissão de Giordani, chavista histórico e um dos maiores defensores do controle de câmbio no país, foi anunciada por Maduro em discurso na noite de terça e expôs divisões no governo. O presidente não justificou a demissão.

Para desmentir as notícias que enfatizavam desavenças no partido governista, Maduro pediu aos chavistas que se mantenham unidos. "Haja o que houver, seguiremos juntos", disse o presidente em meio a críticas aos políticos que, segundo ele, "não entendem o coração do povo" e valorizam mais o "próprio ego de pequeno burguês e o orgulho"

"O povo é a vanguarda revolucionária que não tem sido entendida por alguns escritores e grandes pensadores que estiveram entre o povo, mas não o entendem", acrescentou Maduro.

Maduro informou que a partir de sexta-feira retomará o programa "Governo de eficiência na rua", viajando pela Venezuela para conhecer de perto os problemas das comunicades. O programa também é criticado por Giordani.

"Anuncio que na próxima sexta-feira começaremos a nova fase do 'Governo de eficiência na rua' que vai percorrer todo o país", disse o presidente, acrescentando que o primeiro Estado a ser visitado será Miranda.

Desde fevereiro, Maduro enfrenta uma crise e é questionado após uma série de protestos em Caracas e outras cidades do país deixar 42 mortos, 873 feridos e cerca de 2.500 detidos, dos quais 174 permanecem presos.

O cenário econômico piora a situação do presidente. A alta inflação, que em maio chegou a 60,9%, o desabastecimento de alimentos e bens de consumo básicos e o mercado cambial desregulado resulta em mais protestos pelo país. / AP e EFE

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