Venezuelan Presidency / AFP
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Maduro diz que premiê espanhol 'terá sangue nas mãos' em caso de golpe de Estado

Presidente venezuelano também qualificou de 'nefasta' a decisão de Pedro Sánchez de reconhecer o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, como presidente interino da Venezuela

Redação, O Estado de S.Paulo

04 Fevereiro 2019 | 14h05

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse nesta segunda-feira, 4, que primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, terá sangue em suas mãos caso ele sofra um golpe de Estado. 

"Eu digo ao senhor Pedro Sánchez: que Deus não queira, mas se algum dia o golpe de Estado se concretizar, se algum dia uma intervenção militar gringa se concretizar, suas mãos, senhor Pedro Sánchez, ficarão cheias de sangue, ficará manchado de sangue para sempre", afirmou Maduro em um ato transmitido pela televisão com militares no Estado de Aragua.

O líder chavista também chamou de "nefasta" a decisão de Sánchez de reconhecer o líder do Parlamento venezuelano, Juan Guaidó, como presidente do país caribenho. "O governo covarde da Espanha tomou uma decisão nefasta na história das relações entre a Espanha e a Venezuela", completou.

Sánchez anunciou nesta segunda durante um comparecimento institucional que reconhece formalmente Guaidó como "presidente encarregado", e que promoverá no seio da União Europeia um plano para levar ajuda humanitária à Venezuela, país afligido por uma grave crise econômica.

Este reconhecimento, que era esperado e se soma ao de outros países europeus, tem como objetivo claro a convocação de "eleições livres, democráticas, com garantias e sem exclusões" no menor prazo de tempo possível. "A Venezuela tem que ser dona do seu próprio destino", afirmou o líder espanhol.

 

Mas Maduro, no poder desde 2013, afirmou que com esta decisão Sánchez será recordado "como fantoche colocado a serviço da política de guerra" do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem acusa de promover um golpe de Estado na Venezuela.

Guaidó agradeceu o "gesto" do governo espanhol, que considerou como um "apoio e compromisso" com a democracia venezuelana.

Pedido ao papa

Maduro disse nesta segunda que escreveu ao papa Francisco pedindo sua ajuda e mediação, em uma entrevista ao canal italiano SkyTG24.

"Enviei uma carta ao papa Francisco. Disse a ele que estou a serviço da causa de Cristo (...) e nesse espírito peço sua ajuda, em um processo de facilitação e reforço do diálogo", declarou Maduro nesta entrevista gravada em Caracas

"Os governos do México e do Uruguai, todos os governos caribenhos e do Caricom e o da Bolívia pediram uma conferência de diálogo para o dia 7 de fevereiro", acrescentou. "Peço ao papa para fazer seus melhores esforços, para colocar sua vontade, para nos ajudar no caminho do diálogo, espero receber uma resposta positiva", disse Maduro. / EFE e AFP

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