AP Photo/Ariana Cubillos, File
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Maduro diz que revolução bolivariana se ‘radicalizará’ se EUA travarem guerra financeira com Caracas

Presidente chavista disse que oposição venezuelana quer dar um golpe de Estado no país e pediu que população fique alerta

O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2016 | 15h05

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, declarou na quinta-feira que se os EUA pretendem atingir seu governo com uma suposta "guerra financeira mundial", a chamada revolução bolivariana se "radicalizará", e pediu que os venezuelanos fiquem em "alerta".

Em ato com militantes chavistas no Estado de Aragua, o presidente venezualano disse que a economia do país foi afetada pela queda mundial nos preços do petróleo "e a isto se soma a guerra e a perseguição financeira do governo dos EUA contra a Venezuela todos estes anos".

"Se eles (americanos) pretendem nos machucar com a guerra financeira mundial, a revolução vai se radicalizar e avançar pelos caminhos radicais do socialismo bolivariano", afirmou.

O presidente advertiu que a revolução "não vai retroceder" e insistiu que a oposição de seu país quer dar um golpe de Estado.

"Alerta permanente ao povo, o golpe de Estado que eles estão tentando levantar nós já derrotamos, mas é preciso terminar de enterrar o golpe de Estado que tentaram implantar no dia 1º de setembro", disse em alusão à marcha convocada pela oposição.

Segundo o governo de Maduro, a opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) planejou um golpe para ser executado no dia da manifestação e por isso, supostamente, foram detidos vários dirigentes opositores, sobretudo militantes do partido Voluntad Popular, liderado pelo político preso Leopoldo López.

"No dia 1º de setembro, esta gente (oposição) ameaçou assaltar Caracas, derrubar o governo, tomar o poder", disse Maduro, que afirmou que a MUD não tem o direito "encher o povo de angústia".

Veja abaixo: Nicolás Maduro fala em ‘bloqueio econômico’ à Venezuela

Dólares. A seca de divisas e a crise econômica vivida pela Venezuela têm feito com que o dólar, monopólio do governo, comece a se tornar meio de pagamento, embora apenas para os escassos turistas estrangeiros.

O luxuoso hotel Eurobuilding de Caracas tem aceitado a moeda americana desde junho em um teste nacional, enquanto na ilha caribenha de Margarita - maior receptora de turistas -, os grandes hotéis aceleram os trâmites para aplicar a norma por iniciativa do governo de Maduro, asfixiado pela queda dos preços do petróleo e, consequentemente, pela escassez de divisas.

Alguns hotéis da 'Perla del Caribe' já contam com as permissões e, tutelados pelo governo, trabalham para começar a fazer cobranças em dólares. Embora a transição pareça fácil, em um país que há 13 anos controla rigorosamente o câmbio, começar a cobrar em dólar envolve uma complexa engrenagem para bancos e companhias turísticas.

Segundo os últimos dados publicadas pelo governo, cerca de 1 milhão de estrangeiros visitaram a Venezuela em 2014. Se esses visitantes ficarem uma semana no país, gastando, como estima o governo, US$ 100 diariamente, as receitas poderiam chegar a US$ 1 bilhão por ano. Só as dívidas comercias da Venezuela chegam a US$ 12,5 bilhões, o que leva muitos analistas a acreditarem que a medida terá pouco impacto. / EFE e AFP

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