Maduro diz que se reuniu com Chávez por 5 horas

Vice-presidente venezuelano afirma que líder bolivariano está 'enérgico' e se comunica por bilhetes em razão da traqueostomia

ROBERTO LAMEIRINHAS , ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2013 | 02h04

Após o governo da Venezuela informar que o estado de saúde do presidente Hugo Chávez havia piorado, o vice-presidente, Nicolás Maduro, foi à porta do hospital militar de Caracas, onde o líder bolivariano está internado, e fez um pronunciamento para acalmar o país. Ele disse que se reuniu com Chávez por cinco horas.

Mesmo assim, a tensão em Caracas, que se intensificou com as declarações da véspera do ministro da Informação, Ernesto Villegas, e o das Relações Exteriores, Elías Jaua - que coincidiram na informação sobre a persistência da infecção pulmonar do presidente -, não se dissipou.

"Confiamos em Deus", disse o revendedor de celulares Fábio Antezana, no Bulevar Sabana Grande, um dos pontos mais movimentados da cidade. "O importante é que a nossa revolução vai sobreviver sempre. Os líderes da revolução somos nós."

Maduro confirmou que o quadro de infecção respiratória permanece grave, mas disse que Chávez está lúcido e segue tomando as decisões pelo país. Os dois falaram sobre economia e questões de políticas interna. O vice-presidente afirmou que recebeu orientações de Chávez. Segundo ele, o líder bolivariano se comunica apenas por bilhetes, já que passou por uma traqueostomia para ajudar na respiração.

"Tivemos essas sessões (de trabalho) que abrangeram mais ou menos cinco horas e meia. Ele esteve muito enérgico, com muito ânimo, com muita força e vitalidade. E isso nos enche de alegria", disse Maduro, que apareceu ao lado do ministro do Petróleo, Rafael Ramírez, e do ministro da Ciência, Jorge Arreaza, genro de Chávez.

Vigília. Desde sexta-feira, centenas de chavistas, carregando velas e cartazes com imagens do presidente, estão em vigília nas imediações do Hospital Militar Dr. Carlos Arvelo, onde ele está internado.

Chávez foi operado em 11 de dezembro pela quarta vez em 18 meses. Durante a cirurgia, ocorreram complicações por uma hemorragia e, posteriormente, por uma infecção pulmonar que levou a uma insuficiência respiratória. Na semana passada, o governo disse que ele tinha sido submetido a uma traqueostomia e respirava por meio de uma cânula traqueal, que dificultava sua fala. Desde segunda-feira, quando Chávez voltou a Caracas após quase dois meses em Cuba, o governo não tornou pública nenhuma imagem nova do presidente venezuelano. As únicas imagens divulgadas após a operação foram há uma semana.

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