EFE / PRENSA MIRAFLORES
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Maduro é comparado a Donald Trump após deportar colombianos que viviam na Venezuela

Opositores venezuelanos dizem que medida adotada pelo presidente do país é 'pior do que as promessas' do pré-candidato republicano, que prometeu expulsar mexicanos que vivem ilegalmente nos EUA

O Estado de S. Paulo

26 de agosto de 2015 | 08h40

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, está acostumado a ser atacado por críticos que o chamam, entre outras coisas, de ditador comunista, mas um novo rótulo para o líder latino americano surgiu nesta semana após a deportação de colombianos que viviam no país: o 'Donald Trump latino', em referência ao pré-candidato republicano, que prometeu expulsar imigrantes mexicanos ilegais dos EUA se for eleito presidente.

"Maduro critica Donald Trump, mas sua atitude contra os imigrantes colombianos são piores do que as palavras do magnata americano", afirmou Savério Vivas, um líder político de oposição.

A fronteira entre Venezuela e Colômbia está fechada desde a semana passada depois que uma troca de tiros entre traficantes colombianos e tropas venezuelanas deixaram três soldados feridos. Desde então, Bogotá tem acusado Caracas de acelerar a deportação de seus cidadãos e, em alguns casos, até de separar crianças de seus pais, o que também atraiu críticas de grupo de defesa dos direitos humanos.

Na internet, memes apresentando o rosto de Trump com o bigode negro de Maduro ganhara mas redes sociais e fazem sucesso. Outros mostram Maduro com o tradicional penteado loiro do político americano.

Em um longo discurso transmitido pela televisão estatal na noite de segunda-feira o presidente venezuelano refutou a comparação com Trump. "Estão dizendo que Maduro é como Donald Trump! Imaginem...", disse o líder bolivariano. "Eu nem tenho o mesmo corte de cabelo que ele - e, pior ainda, não tenho a mesma conta bancária que ele", comentou o presidente, em tom de ironia.

Defendendo as políticas de seu governo em tom duro de ataque, Maduro também disse que a Venezuela é uma "vítima" dos políticos de direita da Colômbia e dos mercadores ilegais que tem a intenção de agravar a escassez contrabandeando de tudo, de detergente a gasolina, para o outro lado da fronteira.

A extensa fronteira entre os dois países - 2.219 quilômetros - é frequentemente usada por traficantes e grupos armados ilegais em diversos pontos.

Os opositores venezuelanos, no entanto, contrariam a versão oficial do governo e diz que os controles cambiais e de preços em vigor no país são os culpados pelo contrabando na fronteira ser tão lucrativo, e dizem que Maduro está tentando melhorar sua imagem com fervor nacionalista, usando a Colômbia como um bode expiatório.

O ex-presidente colombiano Andrés Pastrana, um crítico conservador de Maduro, disse recentemente que os comentários do líder venezuelano mostram que ele "claramente é Donald Trump da América Latina".

Com um número crescente dos venezuelanos insatisfeitos com os dois anos da administração de Maduro e com sua incapacidade de tomar medidas urgentes em face da escassez de produtos básicos, da inflação galopante e do aumento da criminalidade, alguns dizem que a comparação improvável com Trump soa verdadeira.

"Na minha opinião ambos são malucos", disse o estudante de Direito Pedro Torrealba, de 21 anos. "Não é certo a deportação dos colombianos. Eu me sinto terrível porque o meu país está passando essa imagem muito ruim." / REUTERS

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