EFE/Miguel Gutiérrez
EFE/Miguel Gutiérrez

Maduro é declarado vencedor em eleição contestada pelo opositor, que pede nova votação

Boicote convocado por opositores impedidos de concorrer e a menor afluência de chavistas levaram a uma participação baixa, estimada em menos de 50%

Rodrigo Cavalheiro ENVIADO ESPECIAL A CARACAS, O Estado de S.Paulo

20 Maio 2018 | 23h27
Atualizado 21 Maio 2018 | 00h20

CARACAS - Nicolás Maduro  foi declarado neste domingo, 21, vencedor de uma votação presidencial em que 46% dos eleitores participaram, em meio a denúncias de abuso de poder e compra de votos. O principal opositor, Henri Falcón, não reconheceu o resultado, disse que a eleição não existiu e pediu uma nova votação. Com 92% das urnas apuradas, Maduro tinha 5,8 milhões de votos (68%). Falcón obtinha 1,8 milhão (21%). O término do mandato está previsto para 2025.

Principal rival de Maduro aponta irregularidades em eleição com alta abstenção

“Nunca antes um candidato havia ganho com 68% dos votos. Nocaute”, foram algumas das primeiras de palavra do presidente, que criticou as denúncias de Falcón, mas ofereceu um governo de unidade. 

Falcón havia afirmado, antes da divulgação dos resultados, que não reconhecia o processo eleitoral como válido. “Não houve eleições, é necessária uma nova votação”, afirmou, dizendo-se disposto a concorrer novamente em dezembro, data prevista até a antecipação do processo por Maduro.

Falcón denunciou mais de 900 irregularidades. Reclamou da presença de postos de informação e controle chavistas a menos de 200 metros dos locais de votação. Também questionou o pagamento prometido pelo chavismo aos que registrassem seu voto nesses pontos por meio da “carteira da pátria”, um sistema de identificação paralelo criado pelo chavismo para monitorar, e assim estimular, a participação de seu eleitorado a base de gratificações. O registro inclui 16 milhões de habitantes. 

“Prometeram 10 milhões de bolívares (US$ 12, pela cotação do mercado negro, 4 vezes o salário mínimo) a quem registrar seu votos nos ‘pontos vermelhos’. Não podemos vender nossa dignidade”, reclamou Falcón. 

Outro opositor, Javier Bertucci, fez denúncias semelhantes às de Falcón. Maduro minimizou as novas ressalvas à votação. O presidente antecipou o processo eleitoral, previsto para o fim do ano, aproveitando um momento em que os principais líderes antichavistas estão impedidos de concorrer. Os opositores então boicotaram a eleição e conseguiram que ela não seja reconhecida por parte da comunidade internacional.

“É preciso um governo de diálogo”, disse Maduro após votar no bairro de Catia, em Caracas. O diálogo seria uma novidade em seu mandato. O chavismo controla o Conselho Nacional Eleitoral, o Judiciário e o Legislativo, que teve funções tomadas por uma Assembleia Constituinte criada no ano passado. Protestos contra o avanço chavista sobre o Congresso resultaram em pelo menos 121 mortes. Maduro enfrenta hiperinflação, projetada em 13.800% pelo FMI para este ano. O desabastecimento nos supermercados foi controlado antes da votação, mas o salário mínimo é insuficiente para comprar um quilo de carne (US$ 3). 

No início da tarde, o índice de participação era metade da registrada na eleição de 2013. Em centros de votação dos bairros opositores Chacao e Altamira, praticamente não havia filas. Em favelas como a do Petare e a 23 de Enero, jipes pagos pelo chavismo transportavam gratuitamente eleitores para os centros de votação morro acima. Chavistas e opositores podiam usar o serviço.

Entre os opositores que preferiram não ir às urnas, o objetivo principal era inflar a abstenção para contestar a legitimidade de Maduro. Em três anos, o presidente poderia ser submetido a um referendo revogatório que encurtaria seu mandato.

 

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