Maduro e Guaidó chegam a acordo para buscar recursos contra a covid-19

Maduro e Guaidó chegam a acordo para buscar recursos contra a covid-19

Organização Pan-americana da Saúde (Opas) confirmou o convênio, que terá sua assistência

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2020 | 22h17
Atualizado 02 de junho de 2020 | 22h45

CARACAS - O governo de Nicolás Maduro e o líder opositor Juan Guaidó chegaram a um acordo para buscar recursos destinados a enfrentar a propagação do novo coronavírus na Venezuela com a assistência da Organização Pan-americana da Saúde (Opas), confirmaram as partes nesta terça-feira, 2.

"Ambas as partes propõem trabalhar coordenadamente, em coordenação e com o apoio da Opas, na busca por recursos financeiros que contribuam para o fortalecimento das capacidades de resposta do país" ao novo coronavírus, diz um documento lido na TV estatal pelo ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez.

Seu pronunciamento foi feito depois que a equipe de comunicação do dirigente parlamentar, reconhecido como presidente encarregado da Venezuela por meia centena de países, anunciou que um pacto havia sido alcançado. A Opas também confirmou o convênio.

O acordo, assinado segunda-feira em Caracas, estabelece linhas de "prioridade" para atendimento de pandemia, incluindo a detecção de casos ativos de covid-19, vigilância epidemiológica e tratamento oportuno dos infectados.

Até agora, as partes não confirmaram qual o valor estimado para o plano. Também não foi relatado sob quais condições os recursos serão executados.

"Conseguimos" que a Opas receba "fundos aprovados para ajuda humanitária", disse um comunicado da equipe de Guaidó, no entanto, assegurando que o pacto permite que o dinheiro seja colocado em situação de emergência "nas mãos de organizações internacionais" e não no governo de Maduro.

É uma "doação aprovada" pela Assembléia Nacional unicameral, o único poder nas mãos da oposição, segundo Guaidó no Twitter após o discurso de Rodríguez.

"A Opas está tomando medidas para apoiar sua implementação", disse uma porta-voz do órgão regional em Washington.

Na Venezuela, 1.819 foram infectados e 18 morreram pela covid-19, segundo dados oficiais, saldo questionado por organizações como a Human Rights Watch.

A pandemia encontrou o país petroleiro atolado em um desastre econômico, com a hiperinflação e seus serviços públicos em colapso, em meio a uma crise que causou o êxodo de cerca de 5 milhões de venezuelanos desde o fim de 2015, segundo a ONU./ AFP 

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