Prensa Miraflores/EFE
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Maduro e oposição retomarão negociação sobre crise na Venezuela em agosto, diz agência

Diálogo será mediado por partes internacionais e tem o apoio da Noruega, que já intermediou outros diálogos

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2021 | 16h47

CARACAS - Representantes do governo e da oposição da Venezuela devem se reunir no México a partir de agosto para uma rodada de negociações com o objetivo de encerrar a profunda crise política que assola o país, disseram à agência Reuters cinco pessoas familiarizadas com o assunto.

O diálogo será mediado por partes internacionais e tem o apoio da Noruega, que atuou como mediadora em uma tentativa de negociação anterior em 2019 e atualmente está em contato com os dois lados para definir a agenda, disseram as pessoas. Uma delegação norueguesa está visitando Caracas esta semana, disse uma delas.

O presidente Nicolás Maduro indicou estar disposto a negociar com o líder da oposição, Juan Guaidó, mas apenas o necessário para o levantamento das sanções americanas. Guaidó, por outro lado, disse que sua delegação busca condições para eleições presidenciais e parlamentares livres e justas.

Em junho, Estados Unidos, Canadá e União Europeia disseram que estariam dispostos a revisar suas sanções ao governo de Maduro se as negociações levassem a um "progresso significativo" em direção a eleições transparentes.

O retorno à mesa de negociações representa uma mudança de rumo para a oposição, que no passado acusou o governo de Maduro de usar rodadas de diálogo para ganhar tempo e diminuir a pressão internacional.

O governo retirou-se da rodada de 2019, realizada em Barbados, depois que o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, endureceu as sanções com o objetivo de derrubar Maduro.

O governo do presidente Joe Biden, que afirma estar revendo as políticas de sanções que herdou, não relaxou as sanções aos setores financeiro e petrolífero da Venezuela e manteve o apoio a Guaidó, reconhecido como o legítimo líder venezuelano por Washington e dezenas de outras democracias ocidentais.

As delegações de ambos os lados serão maiores em comparação com a rodada de Barbados, disseram as pessoas.

Nem o Ministério das Relações Exteriores do México nem o Ministério da Informação da Venezuela responderam imediatamente aos pedidos de comentários.

Os representantes de Guaidó realizaram recentemente viagens a Washington, Bruxelas e Madrid para angariar apoio para o plano de "salvação nacional" proposto pela oposição, que condicionaria o levantamento gradual das sanções ao advento de eleições livres e justas e à entrada de ajuda humanitária.

Mais de dois anos de pressões e sanções diplomáticas internacionais não foram suficientes para derrubar Maduro, que chama Guaidó de fantoche dos EUA e o acusa de tentativa de golpe. /REUTERS

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