Carlos Becerra/Bloomberg
Carlos Becerra/Bloomberg

Maduro exige que Michelle Bachelet retire as 'mentiras' do relatório sobre a Venezuela

Segundo documento, regime de Maduro lançou uma estratégia 'visando neutralizar, reprimir e criminalizar a oposição política'

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2019 | 01h36

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, revelou nesta segunda-feira, 8, ter exigido "uma retificação das mentiras" que, segundo ele, estão incluídas no relatório do Gabinete das Nações Unidas para os Direitos Humanos sobre o país. Segundo ele, alta comissária, Michelle Bachelet, "deu um passo em falso" com o relatório.

Em entrevista coletiva no Palácio de Miraflores, Maduro informou que o Ministério das Relações Exteriores de seu país "exigiu uma retificação das mentiras, falsidades, manipulações" que estão presentes no relatório de Bachelet.

Além disso, revelou que enviará "uma carta pessoal" à alta comissária e lhe pedirá que "não se preste ao fascismo, ao golpismo e ao intervencionismo".

De acordo com Maduro, o relatório da ONU foi feito por  "pessoas que se opunham muito à Venezuela e à revolução bolivariana", e que, em qualquer caso, ele não sente "qualquer pressão", pois é "apenas mais um relatório".

O documento apresentado denuncia que, especialmente a partir de 2016, o regime de Maduro e suas instituições lançaram uma estratégia "visando neutralizar, reprimir e criminalizar a oposição política e aqueles que criticam o governo".

Ele foi elaborado com mais de 500 entrevistas na Venezuela e outros oito países para supostas testemunhas de violações de direitos fundamentais, no período de janeiro de 2018 a maio de 2019.

O presidente venezuelano considera que o relatório é "cheio de mentiras, manipulações" e que Bachelet "cedeu às pressões" e "deu um passo em falso ao ler um relatório que foi preparado e ditado a ela pelo Departamento de Estado".

Maduro acusou o enviado especial dos Estados Unidos para a Venezuela, Elliot Abrams, de exercer pressão "pessoal" contra Bachelet. Além disso, lamentou ter recebido a ex-presidente chilena "com boa vontade".

A Venezuela atravessa um aumento da tensão política desde janeiro, quando o presidente Nicolás Maduro tomou posse para um novo mandato, que não é reconhecido pela oposição e por parte da comunidade internacional e, como resposta, Juan Guaidó se proclamou presidente interino, apoiado por dezenas de países, entre eles o Brasil. / EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.