Miraflores Palace/Handout via REUTERS
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Maduro exige que Colômbia e México expliquem suposto plano para derrubar seu governo

Presidente venezuelano afirmou que Bogotá e Cidade do México trabalham em conjunto com a CIA para removê-lo do poder e disse que 'tomará decisões políticas e diplomáticas'; países negam atuação e refutam acusações de intervencionismo

O Estado de S.Paulo

25 Julho 2017 | 10h41

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, exigiu na segunda-feira que Colômbia e México esclareçam as declarações atribuídas ao diretor da CIA sobre um suposto trabalho conjunto para "derrubar" seu governo e advertiu que, após essas explicações, tomará decisões políticas e diplomáticas.

"Eu exijo que o governo do México e o governo da Colômbia esclareçam essas declarações do diretor da CIA e, tomarei decisões de caráter político e diplomáticos diante esta ousadia", disse o Maduro.

O primeiro-ministro venezuelano, Samuel Moncada, afirmou que a CIA trabalha com a Colômbia e México para "derrubar o governo democrático da Venezuela" e publicou um vídeo no Twitter em que, segundo ele, o diretor da agência de inteligência, Mike Pompeo, manifesta que os EUA têm "profundos interesses no país caribenho".

Moncada ressaltou que essas declarações eram "provas" que os EUA "coordenam com a Colômbia e México a destruição da democracia na Venezuela". O ministro publicou uma imagem com outra transcrição de um discurso de Pompeo em um Fórum de Segurança de Aspen e, segundo o texto, o agente diz que estão "muito otimistas que pode haver uma transição na Venezuela".

"Acabo de estar na Cidade do México e em Bogotá falando sobre esse tema exatamente, tentando ajudá-los a entender as coisas que eles poderiam fazer para poder obter um melhor resultado para o seu canto do mundo e o nosso canto do mundo", finaliza o texto citado por Moncada.

Diante disso, o presidente venezuelano afirmou que o México, a Colômbia e a CIA pretendem "intervir na Venezuela", que a "oligarquia" destes dois países foram "entregues ao império americano".

"Eu sei que estão desesperados, pois o México só tem mais cinco anos de petróleo, esgotaram suas reservas. Já a Colômbia tem mais seis anos de petróleo e eles pretendem que o petróleo da Venezuela pertença ao imperialismo e oligarquias", afirmou.

Após as declarações de Moncada, o Governo colombiano e o mexicano negaram qualquer intenção intervencionista. "A Colômbia jamais foi um país intervencionista e negamos a existência de qualquer ação ou gestão que tente ingerir na Venezuela", indicou o Ministério das Relações Exteriores da Colômbia em comunicado.

"A Colômbia é um país que respeita os princípios do sistema internacional e o Estado de direito e, nesse contexto, sua política externa e suas ações tem como base o cuidadoso respeito desses princípios do Direito Internacional", completa a nota.

Além disso, a Chancelaria colombiana afirmou que recebe com "estranheza" as declarações de Moncada, que citou um discurso do diretor da CIA, Mike Pompeo, sobre uma recente visita à região.

Já o México rechaçou "de maneira categórica" a acusação de que trabalha com a CIA e a Colômbia para "afetar o governo da Venezuela", como afirmou Moncada.

"O México é um país que respeita o direito internacional, que não trabalha com nenhum país em detrimento de outro, e sua posição sobre a situação na Venezuela foi apresentada de maneira clara nos comunicados que emitiu e nos fóruns internacionais dos quais participa", diz o texto.

A Chancelaria acrescentou que o governo do México "reitera sua absoluta disposição de contribuir, pela via diplomática e em estrito respeito à soberania do povo venezuelano, para uma solução pacífica e democrática à grave crise que a Venezuela atravessa".

A Venezuela vive desde o mês de abril uma onda de protestos a favor e contra o governo de Maduro, alguns dos quais se tornaram violentos, culminando com mais de 100 mortes e mais de 1.000 detidos.

No próximo domingo, os venezuelanos estão convocados às urnas para escolher os mais de 500 membros de uma Assembleia Nacional Constituinte defendida por Maduro que redigirão uma nova Constituição e terão poderes para reorganizar o Estado - processo que a oposição considera como uma tentativa do presidente de consolidar uma ditadura no país. / EFE

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