REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Maduro fala em aumentar 'poder militar' na Venezuela

Durante discurso na comemoração do dia da independência do país, presidente bolivariano ressaltou importância das Forças Armadas para enfrentar uma 'guerra não convencional'

O Estado de S. Paulo

06 de julho de 2016 | 11h00

CARACAS - O presidente da venezuela, Nicolás Maduro, disse na terça-feira, 5, durante as comemorações oficiais pelo dia da independência, que "o poder militar tem que continuar aumentando na Venezuela.

Diante de milhares de integrantes da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), Maduro justificou a necessidade de "um poder militar cada vez mais forte (...) cada vez maior", para enfrentar uma "guerra não convencional".

O presidente se referiu nesses termos ao que denuncia como um boicote à economia por parte da oposição - incluindo empresários - apoiada por setores de poder dos Estados Unidos que buscam derrubá-lo. "O poder militar tem que seguir aumentando", declarou Maduro após o tradicional desfile da FANB em Los Próceres, no oeste de Caracas.

Milhares de homens, acompanhados por blindados, desfilaram pelo Passeio Los Próceres, em meio ao sobrevoo de helicópteros e de aviões de combate e transporte de tropas.

Ao fazer a chamada para aumentar o poderio militar, Maduro lançou contra Henry Ramos Allup, presidente da Assembleia Nacional - de maioria opositora -, por suas duras críticas ao alto comando militar.

"Não se meta com os soldados, não se meta com os sargentos, não se meta com os capitães. Meta-se comigo, que sou o comandante chefe desta Força Armada. Covarde!", repreendeu o presidente após o habitual desfile das tropas.

A comemoração da Independência se converteu em um novo cenário de combate entre o governo e a oposição na Venezuela, que promove um referendo revogatório contra Maduro, eleito para o período 2013-2019.

Ramos Allup tem criticado os comandantes militares e alertado que o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) prepara uma sentença para barrar o referendo revogatório do mandato de Maduro. No dia 13 de junho, Maduro apresentou ao TSJ uma queixa de fraude no recolhimento de assinaturas para ativar o referendo.

A coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) exige do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) que o referendo seja realizado este ano e, em caso de derrota de Maduro, que haja nova eleição presidencial. Caso o referendo ocorra após o dia 10 de janeiro de 2017, Maduro poderá designar seu sucessor.

O CNE deverá anunciar em 26 de julho se a MUD conseguiu validar 200 mil firmas solicitando o referendo revogatório, que segundo Maduro será impossível realizar em 2016.

Rompendo com a tradição, o presidente venezuelano não assistiu a sessão especial que a cada ano realiza a Assembleia na comemoração da independência. / AFP

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