Palacio de Miraflores/EFE
Palacio de Miraflores/EFE

Maduro concede indulto a deputados opositores e colaboradores de Guaidó

No total, 110 pessoas foram perdoadas entre políticos, jornalistas, ativistas, entre outros; Leopoldo Lopez não foi incluído na lista

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2020 | 16h38
Atualizado 31 de agosto de 2020 | 17h43

CARACAS - O governo da Venezuela informou nesta segunda-feira, 31, que perdoou mais de 100 políticos da oposição, incluindo 20 legisladores que foram em sua maioria acusados ​​de conspirar contra o presidente Nicolas Maduro. No total, 110 pessoas foram perdoadas entre políticos, jornalistas, ativistas, entre outros. 

Entre os que receberam indulto estão os parlamentares Freddy Guevara (que pediu asilo na residência do embaixador chileno), Freddy Superlano, Miguel Pizarro e Roberto Marrero (que havia servido como chefe de gabinete do líder da oposição e chefe do congresso, Juan Guaidó), e o jornalista Nicmer Evans, que está detido na Diretoria Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM).

Juan Pablo Guanipa, primeiro vice-presidente da composição da Assembleia Nacional (AN, Parlamento) liderada por Guaidó, e Henry Ramos Allup, líder do partido social-democrata Ação Democrática (AD) e uma das vozes mais destacadas da oposição, também estão entre os beneficiados pela medida.

Porém, outras personalidades representativas da oposição venezuelana ficaram fora da lista, como Leopoldo Lopez, que está na Embaixada da Espanha em Caracas, Henrique Capriles, líder do partido Primero Justicia e duas vezes candidato à presidência, e Julio Borges, um legislador da oposição que está na vizinha Colômbia.

O ministro da Informação, Jorge Rodriguez, explicou em entrevista coletiva que os perdões foram concedidos no âmbito dos acordos entre o governo e a oposição, antes das eleições para a Assembleia Nacional que se realizarão no dia 6 de dezembro.  

O esforço sinaliza que o Partido Socialista no poder está tentando aumentar a participação na próxima votação, que parte da oposição prometeu boicotar sob o argumento de que será fraudada. “Esperamos que todas essas medidas tomadas pelo governo bolivariano ajudem a manter o enfoque democrático de todos esses atores políticos”, disse Rodriguez.

Os indultos foram concedidos por decreto assinado por Maduro com o “compromisso supremo” de alcançar a “paz e a reconciliação” e entrará em vigor na data de publicação no Diário Oficial da Venezuela. Maduro tomou a decisão apenas três dias após o congressista de oposição Juan Requesens ter sido transferido para prisão domiciliar após 752 dias de encarceramento por sua suposta participação na tentativa fracassada de assassinato do próprio presidente em 4 de agosto de 2018.

Grupos de defesa dos direitos humanos têm criticado duramente o governo da Venezuela por prender arbitrariamente adversários, muitas vezes sob acusações feitas com pouca ou nenhuma evidência e em violação do devido processo legal básico e da imunidade parlamentar dos legisladores.

No passado, o governo de Maduro libertou pequenos grupos de líderes da oposição presos, mas essas libertações normalmente foram seguidas por mais prisões. O governo nega manter presos políticos e diz que tais acusações fazem parte dos esforços apoiados pelos EUA para manchar sua imagem. /REUTERS, EFE e AFP

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