REUTERS/Marco Bello
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Maduro justifica prisão de opositores na Venezuela

Presidente afirmou que há cinco detidos no que ele classificou de complô: dois deles são Roberto Picón, assessor político do grupo de oposição Mesa de Unidade Democrática, e Aristides Moreno, vice-ministro do ex-presidente Carlos Andrés Pérez

O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2017 | 19h27

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou ontem em seu programa semanal de rádio e televisão que a prisão de políticos de oposição por agentes do serviço secreto, na sexta-feira, foi a resposta a uma tentativa de golpe alimentada pelos EUA. Ele não apresentou provas da acusação.

O presidente afirmou que há cinco detidos no que ele classificou de complô. Dois deles são Roberto Picón, assessor político do grupo de oposição Mesa de Unidade Democrática, e Aristides Moreno, vice-ministro do ex-presidente Carlos Andrés Pérez (1974-1979 e 1989-1993). Eles estavam reunidos em uma casa invadida por integrantes do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin).

Maduro referiu-se durante seu programa também a um traidor identificado, o que meios de comunicação venezuelano interpretaram como uma referência a um militar chavista. O presidente acusou a opositora María Corina Machado e o presidente do Congresso, Julio Borges, de participar do suposto plano para derrubá-lo.

Maduro enfrenta uma onda de protestos de três meses, motivada 

Repressão. O principal sindicato de imprensa da Venezuela denunciou ontem agressões a 376 jornalistas desde o início dos protestos de rua contra o presidente Nicolás Maduro, em 1º de abril. Segundo o Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Imprensa (SNTP), a maior parte das ocorrências veio de militares e policiais.

“Até 24 de junho, 376 trabalhadores da imprensa foram agredidos em 238 casos documentados, dos quais as forças de segurança são responsáveis por 170”, afirmou a organização no Twitter. Além disso, a entidade contabiliza 33 detenções ilegais de trabalhadores dos meios de comunicação.

Ao menos 75 pessoas morreram na onda de violência que se seguiu aos protestos, que deixou também mais de mil feridos, segundo um balanço do Ministério Público, que é chefiado pela chavista dissidente Luisa Ortega Díaz. Governo e oposição se culpam mutuamente pelos casos de violência.

Embora a solicitação do Ministério Público aos tribunais sobre medidas especiais de proteção aos jornalistas tenha sido aceita, as denúncias de ataques a repórteres por policiais, militares e manifestantes são constantes.

Constituinte. /AFP

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