EFE/ Miguel Gutiérrez
EFE/ Miguel Gutiérrez

Maduro manda prender vice-presidente da Assembleia Nacional por rebelião fracassada

Edgar Zambrano é o primeiro parlamentar preso dos dez que o Tribunal Supremo de Justiça quer julgar por envolvimento na fracassada revolta no fim de abril liderada por Juan Guaidó e por Leopoldo López

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2019 | 00h01

CARACAS - O autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, denunciou nesta quarta-feira, 8, que o vice-presidente do Parlamento, Édgar Zambrano, foi detido por agentes de inteligência em Caracas.

"Alertamos ao povo da Venezuela e à comunidade internacional: o regime sequestrou o primeiro-vice-presidente" da Assembleia Nacional (...) para "tentar desintegrar o poder que representa todos os venezuelanos, mas não vão conseguir", escreveu Guaidó no Twitter.

Zambrano é um dos dez deputados contra os quais o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) ordenou um julgamento por envolvimento na revolta de um grupo de militares no dia 30 de abril, sob a liderança de Guaidó, reconhecido presidente interino por mais de 50 países.

A pedido do TSJ, a Assembleia Nacional Constituinte, controlada pelo chavismo, suspendeu na terça-feira a imunidade parlamentar de Zambrano. 

O próprio parlamentar tuitou que patrulhas do serviço de inteligência chavista (Sebin) cercaram seu veículo diante da sede da Ação Democrática, seu partido. "Fomos surpreendidos pelo Sebin. Quando nos negamos a sair do nosso veículo, utilizaram um reboque para nos levar de modo forçado ao Helicoide (sede do Sebin)", afirmou Zambrano nas redes sociais.

Os Estados Unidos reagiram à prisão afirmando que foi "arbitrária, ilegal e indesculpável", e que Nicolás Maduro e seus cúmplices são responsáveis diretos pela segurança de Zambrano. Segundo o governo dos EUA, se Zambrano não for libertado imediatamente "haverá consequências".

Pressão do Supremo 

Nesta quarta-feira, o TSJ elevou para dez o número de deputados opositores processados por apoiar a tentativa de revolta popular da semana passada, ao incluir outros três legisladores.

Os parlamentares Freddy Superlano, Sergio Vergara e Juan Andrés Mejía passaram a integrar o grupo de legisladores acusados de traição à pátria, conspiração e rebelião civil, informou o TSJ. O Supremo venezuelano comunicou a decisão sobre os três congressistas à Assembleia Constituinte, controlada pelo chavismo, para que retire sua imunidade parlamentar, como já fez com os outros sete parlamentares.

Além de Zambrano, o Supremo já havia acusado pelos mesmos crimes outros seis deputados opositores pela tentativa de revolta: Luis Florido, Henry Ramos Allup, Richard Blanco, Marianela Magallanes, Simón Calzadilla e Amerigo De Grazia.

Vários deputados apoiaram o princípio de revolta, deflagrada diante da base aérea de La Carlota, em Caracas. Os confrontos ocorridos devido à tentativa de revolta deixaram 6 mortos e mais de 200 detidos, segundo o procurador-geral, Tarek William Saab.

A deputada Mariela Magallanes se refugiou na residência do embaixador da Itália em Caracas, enquanto seus colegas se afastaram de atividades públicas. Magallanes receberá "a proteção e a hospitalidade de acordo com as convenções diplomáticas", assinalou o chanceler italiano, Enzo Moavero Milanesi, em um comunicado que condenou as medidas do Supremo.

"O medo não vai nos deter", afirmou Guaidó nesta quarta-feira em La Guaira (30 km ao norte de Caracas). "É a única estratégia que resta a um regime sem respostas ao povo (...). Só lhes resta provocar o medo". Guaidó também acusou o governo de Maduro de pretender dissolver a Assembleia Nacional após a suspensão da imunidade de sete deputados.

"Alerto à Venezuela e à comunidade internacional sobre a pretensão do regime usurpador de desintegrar o Parlamento nacional, através de ataques (...) pelo ilegítimo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) e pela Assembleia Nacional Constituinte (ANC)", disse Guaidó em comunicado.

O líder opositor ressaltou que desde 2015, quando foram eleitos os membros do Parlamento, controlado pela oposição, o TSJ "foi o braço executor" do governo para fazer "desaparecer" o Legislativo. "Vinte e nove deputados foram perseguidos e aprisionados por este tribunal ilegítimo, isto representa 24% dos parlamentares opositores ao regime de Maduro. Deste grupo, dez deputados foram alvo de tentativa de violação imunidade parlamentar em menos de 24 horas", acrescentou.

Nesse sentido, Guaidó afirmou que este também é um "ataque" contra ele porque os alvos são "pessoas do seu entorno". "Perseguir os parlamentares legitimamente eleitos não fará com que desapareça a ruptura interna do regime, também não deterá a luta nas ruas pela cessação definitiva da usurpação", ressaltou. / AFP e EFE

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