Ricardo Moraes/Reuters
Ricardo Moraes/Reuters

Chanceler brasileiro espera que autoridades venezuelanas liberem passagem de ajuda humanitária

Ernesto Araújo acompanha o transporte de parte das 200 toneladas de remédios e mantimentos do Brasil

EFE e Luiz Raatz, enviado especial para, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2019 | 10h10

BOA VISTA - O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, disse em entrevista coletiva na manhã deste sábado, 23, em Pacaraima, que espera que autoridades venezuelanas liberem a passagem de ajuda humanitária - enviada do Brasil para a Venezuela desde a Base de Boa Vista - por um dever moral e político. A fronteira permanece fechada desde a última quinta-feira, quando Maduro decretou o bloqueio por tempo indeterminado da divisa entre os dois países.

Ao lado da embaixadora do líder opositor Juan Guaidó, Maria Teresa Belandria, e de autoridades diplomáticas americanas, Araújo afirmou que a entrega será conduzida pela equipe do "governo legítimo do presidente Guaidó".  Segundo ele, são 178 toneladas de remédios e alimentos não perecíveis como feijão, arroz, açúcar e leite em pó.

Maria Teresa lembrou que em Cúcuta, durante a noite, guardas da Guarda Nacional Bolivariana desbloquearam uma parte da ponte e esperam o mesmo procedimento em Pacaraima. Segundo ela, Maduro dificultou a saída de caminhões venezuelanos para o Brasil por meio de pressão junto a empresas de transporte.

Sobre a movimentação de segurança do lado brasileiro da fronteira, Araújo disse que é um procedimento normal e o Itamaraty trabalhará junto às autoridades venezuelanas para que brasileiros em Santa Elena do Uairen antes do fechamento da fronteira retornem ao País. 

O governo de Jair Bolsonaro esclareceu ontem que a Polícia Rodoviária Federal e efetivos do exército apenas escoltarão os dois "caminhões venezuelanos, conduzidos por venezuelanos" que partiram hoje para a fronteira, e descartou uma "ação agressiva" contra o país vizinho.

Hoje mais cedo, em declarações à Agência Efe, Araújo afirmou que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, "não tem poder real", "nem poder moral, só tem o poder da força bruta". 

Araújo garantiu que "a queda de Maduro é questão de tempo" e que espera que "os militares venezuelanos" compreendam "que devem apoiar" Guaidó, que se autoproclamou presidente interino do país em janeiro e foi reconhecido por cerca de 50 nações, entre elas o Brasil.

Araújo esteve ontem na cidade de Cúcuta, na Colômbia, próxima da fronteira com a Venezuela, onde acompanhou o show "Venezuela Aid Live", organizado pelo magnata britânico Richard Branson. Ali, o ministro se encontrou com Guaidó e com os presidentes de Colômbia, Iván Duque; Chile, Sebastián Piñera; e Paraguai, Mario Abdo Benítez.

O chanceler disse que percebeu em Cúcuta que "há uma energia muito intensa, muita esperança e absoluta indignação" e garantiu que já existem planos internacionais para a "reconstrução da Venezuela", em caso de derrocada do governo Maduro.

Além disso, Araújo expressou "uma tristeza muito grande" pelas duas pessoas que morreram e pelas 15 que ficaram feridas durante um enfrentamento ontem entre as forças armadas venezuelanas e integrantes de uma comunidade indígena no estado de Bolívar, que faz fronteira com o Brasil, segundo informaram deputados da oposição venezuelana.

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