AP Photo/Ariana Cubillos, File
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Maduro nega ter abandonado diálogo com oposição para resolver crise política na Venezuela

Presidente chavista não comentou sobre caso de dois sobrinhos da primeira-dama que foram condenados nos EUA por tráfico de drogas

O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2016 | 07h57

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, reafirmou na quarta-feira o compromisso com o diálogo para resolver a crise política no país, após denúncias da oposição de que o governo teria congelado as mesas de trabalho no processo de negociação.

"A mesa de diálogo continua avançando", disse Maduro à emissora oficial, ao lado do ex-chefe de governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, facilitador dos diálogos, com quem se reuniu no palácio presidencial de Miraflores para revisar o andamento dos acordos.

Com ironia, Maduro reagiu às declarações dos opositores, como o ex-candidato presidencial Henrique Capriles, que havia afirmado anteriormente que o governo tinha deixado a mesa. "De fato, nos levantamos. Nos levantamos muito felizes porque estou fazendo 54 anos", disse Maduro, sorrindo.

Zapatero, por sua vez, agradeceu ao presidente "por esta afirmação de compromisso com o diálogo", iniciado em 30 de outubro, com os auspícios do Vaticano e da União das Nações Sul-Americanas (Unasul). As partes têm previsto celebrar uma terceira rodada de diálogos em 6 de dezembro.

"Quando o governo adota documentos, não o faz de forma apressada e cumpre com sua palavra", afirmou Maduro, exigindo do Parlamento de maioria opositora que acate às decisões do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) como parte dos acordos.

Capriles afirmou que o governo levantou-se da mesa em repúdio a uma discussão legislativa sobre o caso de dois sobrinhos da primeira-dama, Cilia Flores, condenados nos EUA por tráfico de drogas na sexta-feira. Mas, para Maduro, tratou-se de uma desculpa porque não está cumprindo com o que foi pactuado. O ponto central, afirmou o opositor, deve ser a reativação de um referendo revogatório contra o presidente chavista, cujo processo foi suspenso no dia 20 de outubro, ou uma antecipação das eleições presidenciais previstas para dezembro de 2018.

O presidente da Assembleia Nacional, Henry Ramos Allup, assegurou que a partir do debate, o Executivo deixou de assistir a duas reuniões das chamadas mesas temáticas, o que interpretou como seu congelamento. Maduro não comentou essa versão e, até agora, não reagiu ao caso dos sobrinhos da esposa.

Antes da reunião entre Maduro e Zapatero, dirigentes da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) se reuniram com a delegação da Unasul, integrada, além de Zapatero, pelos ex-presidentes Martín Torrijos, do Panamá, e Leonel Fernández, da República Dominicana.

O vice-presidente do Legislativo, Enrique Márquez, informou que a MUD e delegados do governo mantiveram entre terça e quarta-feira encontros em separado com o vice-secretário de Estado para Assuntos Políticos dos EUA, Thomas Shannon. Segundo Márquez, o diplomata expressou à MUD sua "preocupação" com os poucos avanços nas negociações. / AFP

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