Imprensa do Palácio Miraflores / EFE
Imprensa do Palácio Miraflores / EFE

Maduro nega ter financiado caravana de migrantes que tenta chegar aos EUA

Líder chavista chamou o vice-presidente americano de ‘louco extremista’ e ressaltou que a acusação ‘provoca risos’, mas também ‘preocupação, porque começa a paranoia imperialista’

O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2018 | 06h34

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, negou nesta quarta-feira, 24, ter financiado a caravana de migrantes hondurenhos que nos últimos dias cruzam a América Central para tentar chegar aos Estados Unidos, e chamou de "louco" o vice-presidente americano, Mike Pence, por relacioná-lo ao caso.

Pence afirmou que o presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, lhe disse que a caravana de migrantes foi financiada pelo governo da Venezuela. "Se não fosse por ter sido dito por um extremista, um louco extremista como Mike Pence e o quão perigoso isso significa para a minha segurança pessoal, que já foi alvo de um atentado aberto, público, e para a segurança do país, poderia rir disso", disse Maduro durante uma reunião com intelectuais em Caracas.

O líder chavista ressaltou que a afirmação de Pence "primeiro provoca risos, mas depois, preocupação, porque começa a paranoia imperialista" a acusá-lo "de tudo o que acontece com eles".

"E eles são capazes de fazer qualquer coisa no mundo. Alerto o mundo sobre a paranoia de Mike Pence e dos setores extremistas do governo dos EUA contra a Venezuela. Há uma obsessão, porque não puderam nos derrotar, não puderam fazer com que nos rendêssemos, nem poderão fazer isso", acrescentou Maduro.

O vice-presidente dos EUA disse que o governo liderado por Donald Trump fará tudo o que estiver ao seu alcance para evitar que a caravana de migrantes chegue ao território americano e "viole" a fronteira sul do país.

"O presidente de Honduras me disse que (a caravana) foi organizada por grupos de esquerda hondurenha, financiada pela Venezuela e enviada ao norte para desafiar a nossa soberania e a nossa fronteira", afirmou Pence em uma conferência promovida pelo jornal The Washington Post.

A caravana, que partiu no dia 13 de outubro de San Pedro Sula, em Honduras, rumo aos EUA, é formada atualmente por mais de 7 mil pessoas, segundo estimativas da ONU.

Grupo detido

Um grupo de 23 migrantes provenientes da Etiópia, Haiti, Gana, Eritreia e Camarões foi enviado na quarta-feira à Direção Geral de Migração da Guatemala, após ser localizado na caravana de migrantes hondurenhos.

O Ministério do Interior disse que o grupo foi detido no km 140 da rota interamericana sem a documentação legal correspondente.

Segundo informações do ministério, as pessoas viajavam em um ônibus de Rotas Orientais, quando foram detidas pelos policiais "como parte dos controles pela passagem de migrantes hondurenhos".

"Eles estavam entre o grupo de migrantes hondurenhos e são pessoas qualificadas por nós como vítimas de tráfico, já que estas caravanas foram exploradas por algumas estruturas criminosas que se infiltram nesses grupos", disse o ministro Enrique Degenhart.

O diretor da polícia, Erwin Tzi, explicou que os postos de controle estão localizados em locais estratégicos e que o objetivo é verificar se as pessoas têm a documentação necessária para permanecer no país e evitar a entrada irregular. / EFE

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