Yuri Cortez/AFP
Yuri Cortez/AFP

Maduro oferece a Duque retomar relação consular após prisão de ex-senadora

Líder chavista pediu que Colômbia faça uma 'reflexão' sobre o caso

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2020 | 22h18

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ofereceu nesta quarta-feira, 29, ao presidente da Colômbia, Iván Duque, a retomada das relações diplomáticas entre os dois países, em nível consular, depois da prisão em Maracaibo da ex-senadora colombiana Aida Merlano.

"Estou disposto a restabelecer as relações em nível consultar para que tenhamos relações fluidas e esses temas possam ser discutidos por meio dos cônsules. Iván Duque, ouça-me", disse Maduro em evento realizado em Caracas.

O líder chavista pediu que a Colômbia faça uma "reflexão" sobre o caso por considerar que houve uma grande confusão depois da prisão de Merlano na Venezuela.

A ex-senadora fugiu em outubro de 2019 de uma prisão de Bogotá, onde cumpria pena por corrupção eleitoral. Na segunda-feira, ela foi detida por policiais venezuelanos no estado de Zulia, que faz fronteira com a Colômbia.

O caso provocou uma crise diplomática entre os dois países. Como a Colômbia reconhece Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela, Duque pediu ao líder opositor que extraditasse a ex-senadora. Maduro, que mantém o controle das principais órgãos de segurança, chamou o pedido de "ridículo".

"A Venezuela tem conflitos com todos os países da Europa e todos têm embaixador na Venezuela, têm cônsules e temos comunicação permanente com os chanceleres da Europa", argumentou Maduro.

"Basta de tanta insensatez e de fanatismo ideológico, basta de extremismo político. Sejamos pragmáticos", pediu o líder chavista ao presidente colombiano.

Maduro afirmou que Merlano está sendo mantida no Helicoide, conhecida sede em Caracas do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin), e dizendo "tudo sobre a classe política colombiana".

"Isso se consertaria se houvesse comunicação, se não houvesse tanto extremismo ideológico. (...) Duque, você está cometendo um grave erro e seu extremismo e imaturidade provocam danos à segurança da Colômbia", alfinetou Maduro.

Para o líder chavista, as relações com o ex-presidente colombiano Juan Manuel Santos, com quem acredita ter diferenças ainda maiores do que as que possui com Duque, eram diferentes. "Se um delinquente era capturado na Colômbia, assim mesmo ele era extraditado", disse o presidente venezuelano. /EFE

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