Maduro ordena ocupações e loja sofre saque

Líder venezuelano celebra prisões após impor sítio a comércios com 'lucro abusivo'

CARACAS, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2013 | 02h10

Uma loja foi saqueada no sábado na Venezuela após o presidente Nicolás Maduro defender em cadeia nacional a ocupação de estabelecimentos que tenham "lucro abusivo". Ontem, o chavista celebrou a prisão de gerentes de uma rede considerada "especuladora" e elogiou a detenção de quem roubou eletrodomésticos após sua ordem.

Após o discurso de Maduro no sábado, militares ocuparam uma loja de eletrodomésticos da rede local Daka. As autoridades detiveram administradores da empresa, que tem 500 funcionários, enviaram soldados para as lojas e obrigaram a empresa a vender seus produtos a preços mais baixos.

Ao saber a notícia, uma multidão foi às lojas Daka. Pelo menos um saque em uma unidade da empresa no centro da cidade de Valência, no norte do país, foi registrado. "A inflação está nos matando. Não tenho certeza se isso é certo, mas algo deve ser feito. Acredito que é direito fazer venderem as coisas a preço justo", disse Carlos Rangel, um dos que formava a fila de cerca de 500 pessoas na Daka em Caracas.

Maduro disse que a ocupação da loja era apenas "a ponta do iceberg" em uma campanha contra os especuladores. Seu principal rival, Henrique Capriles, o acusou se de ser uma "fracassada marionete de Cuba" e não conseguir governar o país. "Um governo que estimula saques é algo inédito", disse a deputada opositora María Corina Machado.

O presidente condenou o saque em Valência, mas disse que foi um incidente isolado e os verdadeiros criminosos eram os empresários. "Aqueles que têm saqueado a Venezuela são os senhores, parasitas burgueses", disse, acusando a Daka de aumentar preços de alguns produtos em mais de 1.000%.

Maduro quer obrigar empresários a devolver o dinheiro cobrado a mais. O "preço justo" será determinado pelo governo, com base em valores dos produtos fora da Venezuela. / REUTERS

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