REUTERS/Maxim Shemetov
REUTERS/Maxim Shemetov

Maduro ordena transferência de escritório europeu da PDVSA para Moscou

Na capital russa, vice-presidente Delcy Rodríguez afirma que Europa 'não dá garantias de respeito aos ativos' venezuelanos e viola suas próprias leis ao congelar bens do país; chanceler russo promete envio de mais medicamentos e alimentos para Caracas

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2019 | 10h12

MOSCOU - A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, disse nesta sexta-feira, 1º, que o presidente Nicolás Maduro ordenou que o escritório europeu da petrolífera estatal PDVSA seja transferido de Lisboa para Moscou para garantir a segurança dos ativos do país.

"A Europa não dá garantias de respeito aos nossos ativos", disse Delcy em entrevista ao lado do ministro de Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, em Moscou. 

A vice-presidente venezuelana afirmou que os países capitalistas estão violando suas próprias leis ao congelar os bens da Venezuela em bancos ocidentais e tachou de um "roubo à mão armada" a restrição dos recursos financeiros do país.

Os Estados Unidos aplicaram várias rodadas de sanções econômicas contra funcionários do alto escalão do governo Maduro e da PDVSA, principal fonte de divisa estrangeira no país por meio da exportação de petróleo. Além disso, Washington ameaçou outros países que fizerem negócios com a Venezuela envolvendo suas commodities, como o próprio petróleo e também o ouro.

Já a Rússia rechaça categoricamente a pressão contra Caracas e defende o diálogo como a única via para solucionar a grave crise política no país latino-americano. 

Ajuda humanitária

Moscou prometeu nesta sexta prosseguir com a ajuda humanitária "legítima" a Venezuela, enviando especialmente medicamentos.

"A Rússia continuará ajudando as autoridades da Venezuela a resolver as dificuldades econômicas e sociais, inclusive por meio a concessão de ajuda humanitária legítima", declarou Lavrov. Ele também disse que Moscou estuda um novo envio de medicamentos solicitado por Caracas.

Delcy reiterou os "agradecimentos ao presidente Putin (...) e ao povo russo por todo o apoio manifestado a Venezuela e a seu governo constitucional e legítimo".

"Maduro deu instruções muito claras de que alimentos o povo da Venezuela precisa, de quais alimentos serão adquiridos da Rússia", completou a vice-presidente.

Lavrov disse que a Rússia já enviou um "primeiro lote de 7,5 toneladas de medicamentos" para Caracas. "Recebemos uma lista suplementar de medicamentos que o governo venezuelano deseja obter. Estamos examinando, esclarecendo os detalhes e verificando questões logísticas", completou o chanceler.

Disputa interna

A Venezuela enfrenta a pior crise política, social e econômica de sua história, marcada pela hiperinflação e pela escassez de produtos de primeira necessidade.

Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional que autodeclarou-se presidente interino, liderou uma tentativa de entrega de ajuda humanitária no fim de semana, mas fracassou diante dos bloqueios montados pelo governo Maduro nas fronteiras com Brasil e Colômbia. / REUTERS, EFE e AFP

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