Maduro pede punição a quem apoiar convocação de eleição no país

Presidente venezuelano diz que se trata de traição à pátria

O Estado de S.Paulo

22 de março de 2017 | 22h02

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pediu nesta quarta-feira, 22, que a justiça de seu país atue com “severidade vertical” e “firmeza justa” contra a maioria opositora da Assembleia Nacional que apoiou nesta terça, 21, um informe crítico da Organização dos Estados Americanos (OEA).

O Parlamento, controlado pela oposição e declarado em desacato pelo Supremo, aprovou um acordo que apoia a aplicação da Carta Democrática Interamericana da OEA à Venezuela, que pede a execução de mecanismos para convocar eleições.

O acordo fala especificamente do artigo 20 da Carta que diz que, em caso de em um Estado membro se produzir “uma alteração da ordem constitucional que afete gravemente sua ordem democrática”, outro membro da OEA ou secretário-geral pode convocar Conselho Permanente.

“Tem de pedir a cópia certificada dos deputados que decidiram aprovar um documento pedindo a intervenção na Venezuela por parte do imperialismo e das forças da direita internacional através da OEA”, disse Maduro durante pronunciamento transmitido em cadeia de rádio e televisão.

O presidente afirmou que o apoio da Câmara ao informe, apresentado há uma semana pela secretário-geral da OEA, Luis Almagro, “constitui delito de traição à pátria” e pediu “denunciar com nome e sobrenome esses fantoches do imperialismo que de dentro da Assembleia Nacional estão chamando a intervenção”.

“Romperam as regras do jogo mínimo, que depois não saiam choramingando (...) há bastante espaço nas prisões para os traidores da pátria, e cedo ou tarde eles estarão ali”, prosseguiu Maduro, que classificou como “assunto de Estado” o que chamou de “agressão” e pediu uma “união cívico-militar”. “Vamos defender a Venezuela com nossas vidas”.

O Parlamento, controlado pela oposição e declarado em desacato pelo Supremo, citou a suspensão da eleição dos governadores em dezembro do ano passado para aprovar o acordo para que sejam ativados mecanismos para novas eleições no país.

O bloco parlamentar chavista solicitou nesta quarta ao Supremo Tribunal de Justiça que anule a sessão legislativa e avalie “a responsabilidade individual de cada um dos deputados opositores pelos atos constitucionalmente ilícitos e pelo delito de traição à pátria”. /EFE

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