Miraflores Palace/Handout via REUTERS
Miraflores Palace/Handout via REUTERS

Maduro pede que militares 'lubrifiquem' fuzis diante de ameaça dos EUA

Em agosto, Trump não descartou a possibilidade do uso da força para pressionar Caracas a restabelecer a democracia

O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2017 | 19h46

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, apelou nesta terça-feira, 26, às Forças Armadas para que "lubrifiquem" os fuzis diante das ameaças do presidente americano, Donald Trump. 

"Estamos sendo ameaçados descaradamente pelo império mais criminoso que já existiu e temos a obrigação de nos preparar para garantir a paz", disse Maduro durante uma cerimônia na base aérea Libertador, na cidade de Maracay (norte).

Dois dias após Trump incluir a Venezuela na lista de países com restrições para viagens aos Estados Unidos, Maduro destacou que para obter a "prosperidade" é necessário "ter os fuzis, os mísseis e os tanques bem lubrificados, preparados (...) para defender cada palmo do território" venezuelano.

Em agosto, Trump não descartou a possibilidade do uso da força para pressionar Caracas a restabelecer a democracia. "O futuro da humanidade não pode ser o mundo das sanções ilegais, da perseguição econômica", assinalou Maduro, vestido com uma camisa verde oliva e uma boina militar.

O líder venezuelano pediu às Forças Armadas "máxima lealdade", enquanto centenas de soldados realizavam manobras terrestres e aéreas, incluindo um desembarque de tropas e combates corpo a corpo.

Aviões de fabricação russa sobrevoaram a base durante a cerimônia, na qual também desfilaram tanques, veículos blindados e mísseis.

"A Venezuela conta hoje com o sistema de mísseis mais moderno que as Forças Armadas já possuíram em sua história", destacou Maduro, em claro desafio a Trump, que considera o líder chavista de "ditador".

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Sanções. "Tenho esperança de que nossos amigos na União Europeia seguirão em breve os Estados Unidos, o Canadá e muitas outras nações latino-americanas na sanção ao regime de (o presidente Nicolás) Maduro", disse hoje Trump em uma entrevista coletiva com o chefe de governo espanhol, Mariano Rajoy.

O presidente americano afirmou que na Venezuela a população "tem suportado uma fome imensa, sofrimentos e perigos, além de instabilidade política" sob o que denominou de "um opressivo regime socialista".

Rajoy, por sua vez, disse que em uma reunião e um almoço de trabalho que manteve com Trump compartilharam impressões sobre a "orientação totalitária" na Venezuela, assim como seu "consequente empobrecimento".

"Constatamos a necessidade de manter a pressão internacional sobre o governo venezuelano", leu Rajoy. "Estamos liderando na UE a proposta para sancionar a Venezuela."

Na visão de Rajoy, o país sul-americano "está em uma orientação que o leva inevitavelmente a uma ditadura" e por isso está convencido de que "as sanções são importantes", assim como uma "coalizão internacional que pressione" o governo de Caracas.

Até o momento somente os Estados Unidos e o Canadá adotaram sanções financeiras ou contra funcionários do governo venezuelano.

Washington adotou as primeiras sanções contra a Venezuela durante o governo de Barack Obama, embora Trump tenha endurecido notavelmente as medidas.

No domingo, a Casa Branca vetou a entrada em território americano de certos funcionários venezuelanos, ao incluir o país em uma lista integrada por Coreia do Norte, Irã, Chade, Líbia, Síria, Somália e Iêmen.

Na sexta-feira, o governo canadense anunciou a adoção de sanções contra o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e outros 39 funcionários aos quais responsabilizou pela "deterioração da democracia".

As medidas tomadas pelo governo de Justin Trudeau se referem "ao congelamento de ativos e à proibição de transações dirigidas a indivíduos específicos", assim como à proibição para os canadenses de "prestar seus serviços financeiros ou serviços conexos".  

O governo venezuelano acusou a Casa Branca de usar o "terrorismo psicológico" com suas sanções e denunciou o governo canadense por se submeter a uma "subordinação aberrante" a Trump.

Na segunda-feira, o secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, emitiu um novo relatório sobre a Venezuela, no qual pediu à comunidade internacional que aplique mais sanções contra o governo de Caracas. / AFP

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