AFP PHOTO / JUAN BARRETO
AFP PHOTO / JUAN BARRETO

Maduro põe militares para vigiar portos na Venezuela

Governo venezuelano justifica medida como parte de esforço para combater a escassez

O Estado de S. Paulo

13 de julho de 2016 | 19h50

CARACAS

O governo da Venezuela anunciou na madrugada desta quarta-feira, 13, a ampliação dos poderes do Exército no combate a escassez de alimentos e ao contrabando. Os cinco principais portos do país serão administrados por militares. A chamada “Missão Abastecimento Soberano” será comandada pelo ministro da Defesa Vladimir Padrino. 

Para reorganizar a distribuição de alimentos, insumos e remédios - cronicamente em falta no país desde 2013 -, Maduro decidiu nomear uma autoridade única para cada um desses cinco portos. Ele designou o general Efraín Velasco Lugo como presidente da estatal Bolivariana de Portos, entidade que administra as instalações de carga marítima do país.

Segundo Maduro, Velasco será responsável pela fiscalização da chegada de matérias-primas para empresas, armazenamento e distribuição. “Isso aqui está um caos e favorece a corrupção”, disse o presidente enquanto fiscalizava um armazém em um porto da costa caribenha.

“Se estão desviando produtos, vamos tomar medidas bastante severas. São as nossas instruções”, disse Padrino. “Estamos verificando inventários e maquinários.”

Esse plano foi ativado no âmbito de um decreto de estado de exceção determinado pelo Judiciário venezuelano e prorrogado em 13 de maio. O decreto concede amplos poderes a Nicolás Maduro.

Aperto. A situação na Venezuela se agravou na véspera com a decisão do Citibank - responsável pelo pagamento das contas do país no exterior - de fechar a conta usada pelo Banco Central venezuelano para fazer seus pagamentos internacionais.

Por intermédio do Citibank, a Venezuela paga todas as suas contas nos Estados Unidos e no mundo, e a medida põe o país em grandes dificuldades, já que, agora, precisará buscar outro banco para evitar ficar à margem do sistema financeiro internacional.

A decisão do Citibank se segue aos anúncios já feitos de fechamentos, ou cortes de operações, de empresas na Venezuela, como Coca-Cola, os grupos americanos Kraft Heinz e Clorox, ou as companhias aéreas Lufthansa, Aeroméxico, ou American Airlines.

Estatização. Cumprindo a ameaça de intervir nas empresas que paralisarem suas operações, o governo assumiu o controle na véspera da fábrica da empresa americana de produtos de higiene pessoal Kimberly-Clark, entregando-a aos trabalhadores. A companhia havia suspendido suas operações por causa da “deterioração” da economia venezuelana.

O país com as maiores reservas de petróleo do mundo sofre uma grave crise pela queda dos preços do petróleo, com uma escassez que chega a 80% de alimentos e remédios, além de uma inflação de 180% em 2015. A projeção para 2016 do Fundo Monetário Internacional é que chegue a 720%.

Analistas críticos do governo e da oposição afirmam que a crise é resultado do modelo estatizante e do regime de controle cambial em vigor desde 2003. Maduro rebate as acusações, dizendo-se vítima de uma “guerra econômica” que tenta provocar o mal-estar da população para derrubá-lo. Há anos, o governo venezuelano atribui as dificuldades a um plano da oposição para derrotar a “revolução bolivariana”. / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.