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Maduro promete proibir venda de dólares a empresas privadas

Presidente venezuelano diz que filiados da Fedecámaras não poderão comprar dólares para importar bens e matéria-prima

O Estado de S. Paulo

22 de abril de 2015 | 18h51

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou ontem que proibirá empresas ligadas à entidade patronal Fedecámaras de participar dos leilões de dólares feitos pelo governo chavista para a importação de bens e matéria-prima. Maduro, que acusa o grêmio de promover uma “guerra econômica” contra seu governo”, prometeu lançar um novo plano econômico contra a grave crise que afeta o país no dia 1º de maio. 

“Fedecámaras, não tem mais dólares para vocês”, disse o presidente em uma reunião do Estado Maior Especial Contra a Guerra Econômica – grupo criado por ele para combater a crise. “Os dólares são para alimentar o povo e para os empresários que queiram trabalhar.”

Maduro rechaçou qualquer tentativa de diálogo com a entidade patronal, que representa as maiores empresas venezuelanas, e descartou desmantelar os controles estatais sobre o câmbio e o preço de produtos básicos no país, em vigor desde 2003. Ambos são defendidos pelas empresas privadas como uma maneira de estabilizar a economia, vítima de um desequilíbrio cambial provocado pela restrição à venda de dólares e escassez de divisas, além de inflação e desabastecimento. 

“Vejam a mentalidade dessa gente prepotente que diz: ‘Maduro deve liberar os preços, Maduro deve liberar o câmbio e nos entregar os dólares.’ Os dólares do povo para vocês?”, questionou o presidente, que acusou a Fedecámaras – uma das artífices do golpe de Estado frustrado contra Chávez, em 2002 – de “estar em guerra com o país e o povo. “Damos as boas vindas aos empresários que querem trabalhar, Digam a Jorge Roig ( presidente da entidade) que o tempo de mão estendida e sorrisinhos acabou.”


A entidade patronal pediu ao governo que cumpra os compromissos assinados em vigor e evite ser alvo de sanções, especialmente na Organização Internacional do Trabalho (OIT). 

“Se a Venezuela deixar de cumprir compromissos e convênios, como não está fazendo, é evidente que pode sofrer sanções”, disse Roig em entrevista na sede da Fedecámaras. “O governo precisa adotar imediatamente ações que criem um clima de confiança com base no respeito |às organizações empresariais e sindicais para promover relações profissionais sólidas.”

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