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Maduro propõe eleições antecipadas para o Parlamento controlado pela oposição

Presidente venezuelano desafia opositores a irem às urnas para ver quem recebe mais votos

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2019 | 17h48

CARACAS - O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, propôs nesta segunda-feira antecipar as eleições para a Assembleia Nacional, atualmente controlada pela oposição e presidida por  Juan Guaidó. As eleições parlamentares estavam previstas para 2020. O chavista, no entanto, não deu detalhes nem determinou uma data específica, dando a impressão de a declaração ser mais um desafio aos opositores do que uma medida efetiva.

 Maduro lançou o desafio durante um ato no Palácio de Miraflores pelo aniversário de um ano de sua reeleição à presidência, boicotada pela maioria da oposição, considerada fraudada por Guaidó e não reconhecida pela maior parte da comunidade internacional.

“Vamos legitimar a única instituição que não o fez nos últimos cinco anos”, disse Maduro, segundo informações divulgadas no Twitter de seu órgão oficial de comunicação. “Vamos antecipar as eleições para a Assembleia Nacional para saber quem tem mais votos. Eleições já. Quem vai ganhar? O povo chavista, cristão e revolucionário.”

Diosdado Cabello, um dos nomes mais fortes do chavismo, deu mais pistas sobre o que o presidente pretende. “No máximo no ano que vem teremos eleições. A próxima eleição será da Assembleia Nacional. Eles (opositores) participarão, sim ou não? Nós vamos participar”, disse Cabello, que é presidente da Assembleia Constituinte, criada por Maduro para substituir os poderes do Parlamento.

Pouco antes da sugestão de Maduro, a Constituinte, que é composta apenas por chavistas, aprovou um decreto que prorroga o funcionamento do órgão até 2020 – um ano e cinco meses além do previsto inicialmente. A proposta de prorrogação foi feita pelo deputado constituinte Pedro Carreno para “defender o povo” de “ataques da direita” e ganhou apoio de figuras importantes do chavismo.

Em 2015, a oposição surpreendeu o chavismo e venceu as eleições legislativas, obtendo cerca de dois terços dos deputados. Desde então, Maduro tenta minar os poderes do Parlamento. O golpe mais eficaz foi dado em 2017, quando convocou uma Assembleia Nacional Constituinte. 

Sob pretexto de reescrever a Constituição, o novo órgão assumiu as funções da Assembleia Nacional. Sem ter nenhum integrante da oposição, a Constituinte foi eleita com a participação de apenas 40% dos eleitores – a oposição garante que menos de 20% apareceu para votar. 

Maduro também falou sobre o diálogo na Noruega com os enviados de Guaidó. "Mantivemos a primeira jornada com a mediação do governo da Noruega, no norte da Europa, e foi muito positiva", afirmou. No entanto, ele acrescentou que não é "um bobalhão, um inocentão". "Creio na paz, mas estou preparando o povo para defender a pátria como for preciso, com a força armada unida e coesa, com as milícias e o povo treinando", ameaçou.

Crimes.

A polícia espanhola deteve ontem quatro pessoas no âmbito de uma investigação envolvendo o ex-embaixador da Espanha na Venezuela Raúl Morodo, suspeito de lavagem de dinheiro e de outros crimes ligados ao desfalque de 4,5 milhões de euros da estatal PDVSA. 

Embora o diplomata seja o principal suspeito do caso, Morodo não foi preso em consequência de sua idade avançada, 84 anos, e saúde debilitada. Entre os detidos, está seu filho, Alejo Morojo. 

A investigação, sob sigilo judicial, tem como foco o período entre 2008 e 2013, logo após o término de seu mandato de três anos como embaixador da Espanha na Venezuela, no governo do premiê socialista José Luís Rodríguez Zapatero. Os crimes atribuídos aos envolvidos são lavagem de dinheiro, falsificação de documentos e delitos fiscais, entre 2012 e 2015.

A investigação ocorre em três países europeus – Portugal, Andorra e Espanha –, além de Estados Unidos, onde vivem dezenas de cidadãos venezuelanos suspeitos de lavar dinheiro em troca de suborno, quando ocupavam cargos em empresas públicas durante o governo de Hugo Chávez, entre 1999 e 2013.

Os investigadores acreditam que o dinheiro tenha sido enviado para a Espanha como pagamento de contratos falsos, por meio de um esquema em que as propinas foram usadas em investimentos imobiliários. / AP, AFP, EFE REUTERS

 

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