REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Maduro propõe instalação de comissão da verdade para agenda de diálogo com oposição

Presidente da Venezuela também propôs o respeito às instituições e a cessação da violência como temas para tentar debater com seus opositores

O Estado de S. Paulo

08 Junho 2016 | 11h36

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, propôs na terça-feira a instalação de uma comissão da verdade, o respeito às instituições e a cessação da violência como os três grandes temas para a agenda do diálogo que deseja instalar com seus opositores.

"O primeiro de tudo é a instalação da comissão da verdade, da justiça, e a reparação de vítimas e a paz, isso é o primeiro de tudo", disse o chefe de Estado venezuelano durante seu programa de televisão "Em Contato com Maduro" na emissora estatal VTV.

A comissão, que já havia sido proposta por Maduro no início de 2016, buscaria reparar as vítimas dos protestos antigovernamentais de 2014 que foram liderados, entre outros, pelo dirigente opositor Leopoldo López, atualmente na prisão pela violência em uma dessas manifestações.

Maduro assegurou que tem em seu poder uma carta do líder do partido Vontade Popular, detido em um prisão militar cumprindo uma condenação de quase 14 anos, na qual este aceita submeter-se a essa comissão. "Tenho em minhas mãos a carta deste personagem obscuro da direita venezuelana submetendo-se à comissão da verdade", destacou.

Uma segunda proposta para os temas a serem abordados em um virtual diálogo com seus opositores "tem a ver com a agenda já estipulada, o respeito institucional e constitucional", indicou.

Maduro deixou claro que este ponto está relacionado ao Parlamento venezuelano, controlado por seus opositores, que desde que tomaram o controle do Legislativo travaram várias batalhas institucionais com o Executivo e o Poder Judiciário. Trata-se "de um encontro dos poderes públicos para o acordo do funcionamento do país", detalhou o presidente venezuelano.

Um terceiro aspecto pede "a renúncia à violência em todas suas formas, a cessação à violência em todas suas formas políticas, sociais, criminais, um grande acordo de paz e não violência", completou Maduro.

As três propostas serão enviadas à comissão internacional da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) integrada pelo ex-presidente do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, e os ex-presidentes Martín Torrijos, do Panamá, e Leonel Fernández, da República Dominicana, que atuam na qualidade de mediadores.

Desde que se anunciou esta iniciativa de diálogo, no dia 19 de maio, uma comissão do governo chavista e uma da opositora Mesa da Unidade Democrática trabalham com os mediadores na elaboração de uma agenda para as conversas.

A segunda reunião exploratória para esses diálogos, que deveria ter sido realizada na terça-feira na República Dominicana, foi cancelada pela oposição, informou a Unasul em comunicado.

Maduro afirmou que é "incrível" que a oposição "tenha se retirado e não tenha cumprido a palavra empenhada com os ex-presidentes e a Unasul, e vejam a reunião como uma ameaça e não como uma oportunidade".

Diálogo. A Unasul chamou a oposição da Venezuela a retomar as conversas preliminares com o governo de Nicolás Maduro, depois que a MUD pediu o adiamento da reunião.

"A Unasul e os ex-presidentes fazem um chamado à oposição representada na MUD a se reincorporar o quanto antes, e continuar o único caminho que permitirá reafirmar a paz, a convivência e o diálogo", indicou o bloco em um comunicado divulgado na terça-feira.

A Unasul não afirmou quando vai retomar os contatos. /EFE e AFP

Veja abaixo: Oposição venezuelana protesta por revogatório contra Maduro

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