Miguel Gutierrez/EFE
Miguel Gutierrez/EFE

Maduro reage à OEA convocando ‘rebelião nacional’

Ele acusou Almagro de tentar abrir as portas a uma "intervenção gringa" na Venezuela

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S. Paulo

31 Maio 2016 | 21h12

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou nesta terça-feira o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, de tentar abrir as portas a uma “intervenção gringa” no país com a invocação da Carta Democrática Interamericana. “Convoco uma rebelião nacional diante das ameaças internacionais”, declarou em evento em Caracas. 

Maduro enrolou um papel com as mãos e o mostrou ao público. “Creem que a pátria de Bolívar se intimida diante de ameaças. Podem colocar a Carta Democrática em um tubinho bem fino e dar a ela melhor uso. Sr. Almagro, enfie sua Carta Democrática onde queira”, afirmou. “À Venezuela, ninguém vai aplicar nenhuma Carta.”

O presidente também atacou a oposição, que apresentou a Almagro no mês passado a solicitação de invocação da Carta Democrática. Maduro anunciou que pedirá à Procuradoria-Geral da República que inicie um processo contra o presidente da Assembleia Nacional, Henry Ramos Allup, sob acusação de usurpar funções que seriam exclusivas do Poder Executivo. 

Segundo ele, o requerimento de invocação da Carta Democrática só poderia ser realizado pelo presidente do país. “Eles cometeram um delito muito grave de traição da pátria”, afirmou Maduro, em referência à bancada dos opositores que venceram as eleições legislativas de dezembro.

A Venezuela sustenta que Almagro não tem poderes para invocar o documento e está excedendo suas atribuições. O representante do país na OEA, Bernardo Álvarez, disse na semana passada que o pedido do secretário-geral é ilegal e não poderá nem ser avaliado pelo Conselho Permanente da instituição. Segundo o presidente chavista, o argumento de que existe uma crise humanitária na Venezuela é uma senha para justificar a intervenção no país.

“Hoje (terça-feira), o sr. Almagro apresentou um documento pedindo que se intervenha na Venezuela desde o exterior e se aplique uma fantasia chamada Carta Democrática para abrir as portas a uma intervenção gringa na Venezuela”, declarou Maduro em Caracas, durante uma manifestação de trabalhadores do setor de transportes a favor do governo. 

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