AFP PHOTO / CARLOS BECERRA
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Maduro reage a onda dissidente no chavismo

Manifestações voltam a ganhar força no fim de semana e reúnem 200 mil pessoas na Venezuela; opositores põem fogo em jovem

O Estado de S.Paulo

21 Maio 2017 | 19h23

CARACAS- O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ignorou em seu programa dominical a mobilização de mais de 200 mil manifestantes na véspera e garantiu que a Constituinte convocada por ele no dia 1.º é irreversível. “A Constituinte vai adiante, com chuva, trovões ou relâmpagos”, enfatizou em “Domingos com Maduro”, transmitido em rádio e TV. O chavista tratou também de justificar dissidências recentes. 

Ele acusou os EUA de colocar esportistas, artistas e outras figuras públicas contra o chavismo. Segundo ele, Washington dedica tempo a organizar uma conspiração para condicionar os famosos.

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“Eles são pressionados. Ameaçam tirá-los da MTV, não financiar mais suas carreiras, divulgar segredos e prometem dinheiro”, afirmou o bolivariano. Manifestações contra o chavismo têm ocorrido durante partidas de futebol e apresentações artísticas, um sinal de deserções em um terreno mantido fiel por Hugo Chávez, morto em 2013.

Maduro também mandou um recado aos que dão sinais de rompimento com o chavismo, como a procuradora-geral Luisa Ortega Díaz, que na sexta-feira considerou inconveniente a mudança constitucional neste contexto. “Convoco a procuradora-geral, o advogado-geral e o Judiciário a unir esforços por justiça, para que todas as instituições condenem a violência, a intolerância e a perseguição.

Ortega já havia se posicionado contra a decisão do Tribunal Supremo de tomar poderes da Assembleia, considerada em desacato pelo governo.

Mais de 200 mil venezuelanos saíram às ruas no sábado, para pedir a renúncia de Maduro. Os principais atos ocorreram no Estado de Táchira, na fronteira com a Colômbia, e em Caracas, onde 46 pessoas ficaram feridas, entre elas um jovem que foi incendiado em uma marcha antichavista, em meio a gritos de “ladrão” e “chavista”. 

Maduro acusou manifestantes opositores de atear fogo em Orlando Figuera, de 21 anos. Ele foi internado em um hospital do leste da capital com queimaduras de primeiro e segundo graus em 80% do corpo e feridas de arma branca. /AFP

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