AP Photo/Ariana Cubillos
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Maduro recusa entrada da ONU na Venezuela para avaliar situação humanitária do país

Entidade apela a governo para que aceite ajuda internacional para lidar com a crise de alimentos e de saúde

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2016 | 15h32

GENEBRA - A ONU denuncia o governo de Nicolás Maduro por recusar a entrada de funcionários do alto escalão das Nações Unidas ao país para avaliar a situação de direitos humanos, e apela para que a Venezuela aceite ajuda humanitária para lidar com a crise de alimentos e de saúde no território.

De acordo com as Nações Unidas, o representante de Direitos Humanos da entidade para a América do Sul tem seu visto negado para entrar na Venezuela desde 2014. “Em diversas ocasiões o visto foi solicitado. Mas ainda não temos acesso ao país”, disse a porta-voz da ONU para Direitos Humanos, Ravina Shamdasani. 

"Os pedidos de visto foram submetidos para dar acesso ao representante regional do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos, aos quais não houve resposta por parte das autoridades em 2014 e no final de 2015", disse a porta-voz. "Vários outros pedidos para acesso foram feitos em cartas do Alto Comissariado da ONU para a Venezuela e oralmente em encontros com dirigentes venezuelanos em Genebra e em outras partes", detalhou Ravina. 

O trabalho do representante seria o de avaliar a situação de direitos humanos no país, e a ONU insiste que quer estabelecer um diálogo com o governo para que a crise possa ser superada. Maduro, porém, tem acusado o Escritório da ONU para Direitos Humanos de “ingerência” indevida no país e já conseguiu o apoio da China, de Cuba e de outros governos em protestos contra a entidade.

A ONU também apelou para que as autoridades não usem força excessiva nos protestos e sugere um monitoramento “objetivo e independente” da situação de direitos humanos no país”. 

Ainda assim, a ONU fez um apelo nesta terça-feira, 19, para que o governo “considere aceitar ajuda humanitária para apoiar seus esforços de garantir a distribuição de alimentos e o fornecimento adequado de remédios, assim como para garantir a distribuição equitável desses bens”. 

Operações de ajuda humanitária são, em grande parte, organizadas em países em guerra ou afetados por desastres naturais. No caso da Venezuela, uma operação tem sido recusada diante do temor de que o governo seja considerado como “inapto” para administrar o país. Nos bastidores, diplomatas venezuelanos têm tentado barrar qualquer iniciativa de entidades internacionais para sair ao socorro da população.

Na ONU, até mesmo entidades como a Organização Mundial da Saúde (OMS) têm evitado comentar a crise e, na última semana, se recusou a fazer parte de uma coletiva de imprensa que forneceria dados sobre a crise no país. “Estamos profundamente preocupados diante da deterioração da situação de direitos humanos, da insegurança cada vez maior, da violência, da falta severa de comida, bens básicos e serviços médicos”, disse Ravina. 

“Nos últimos dois meses, aumentou de forma significativa o número de protestos demandando acesso à alimentos”, alertou. “Estamos preocupados com informes de prisões de centenas de manifestantes em diversas cidades nas últimas semanas, como em Sucre em junho, assim como informes sobre o uso excessivo de força para controlar os protestos”, disse. 

Para a ONU, é “preocupante” o decreto de emergência econômica ampliado no dia 12 de julho por mais 60 dias. Na avaliação da entidade, ele é vago demais. “Pedimos às autoridades para garantir o direito à liberdade de expressão, incluindo o de garantir a manifestantes que tenham acesso a locais públicos para que possam protestar”, pediu Ravina. 

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