Maduro remove da Economia 'guru' de Chávez

Jorge Giordani, mentor do controle de câmbio e do congelamento de preços, dará lugar a presidente do Banco Central da Venezuela, Nelson Merentes

CARACAS, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2013 | 02h05

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou na madrugada de ontem uma ampla reestruturação de seu gabinete de ministros. A principal mudança é no comando da equipe econômica. Jorge Giordani, um dos mentores do controle cambial e de preço aplicado há uma década no país, dará lugar a Nelson Merentes, presidente do Banco Central da Venezuela, no Ministério da Economia.

Giordani passará para a nova pasta do Planejamento, criada ontem. Merentes ocupará também a recém-lançada vice-presidência econômica, um sinal de que os recentes problemas da área devem ganhar mais atenção do novo presidente.

"Precisamos governar uma economia complexa, de transição para o socialismo", disse Maduro. "Temos de controlar a inflação. Merentes me disse que é possível controlá-la e reduzi-la para um só dígito."

Apenas cinco ministros permaneceram em seus cargos. Um deles foi o poderoso chefe da pasta do Petróleo, Rafael Ramírez. No total, foram 17 mudanças em 31 ministérios. Jorge Arreazza, genro de Hugo Chávez, será o vice-presidente.

"Ninguém acha que o modelo mudou, mas enfraquecer Giordani é bom (para a iniciativa privada)", disse Asdrúbal Oliveros, economista da consultoria Ecoanalítica.

Desvalorização. Para Luis Vicente León, presidente do Instituto de pesquisas Datanálisis, a nomeação de Merentes é uma tentativa de aliviar a crise cambial. Desde o ano passado, a Venezuela enfrenta uma escassez de dólares, que provocou uma crise de abastecimento, já que a maioria dos bens de consumo é importada. Além disso, o governo teve de desvalorizar o bolívar forte para compensar o crescente déficit fiscal.

"É evidente que o agravamento da crise econômica está vinculado à radicalização do controle sobre o câmbio instituído por Giordani depois de outubro (quando a cotação no câmbio negro disparou em razão da escassez de moeda estrangeira)", afirmou León. "Merentes é muito mais pragmático e tem uma visão mais aberta sobre a administração de divisas. Ele tem sido o contato mais aberto de credores da dívida venezuelana."

A oposição acusa o governo chavista de mergulhar o país na inflação com o crescente tamanho do Estado e com o aumento dos subsídios para os programas sociais do governo.

Ameaça. O ministro das Relações Exteriores venezuelano, Elías Jaua, afirmou ontem que o governo de seu país tomará medidas "de ordem comercial, energética, econômica e política" contra os EUA se Washington impuser sanções contra Caracas. As informações são do jornal venezuelano El Universal. O chanceler fez a ameaça em resposta aos americanos, que pediram uma recontagem dos votos que elegeram Maduro presidente. / REUTERS e EFE

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