EFE/ Rayner Pe
EFE/ Rayner Pe

Maduro retoma contato com Noruega após tentativa de acordo com oposição em 2019

País nórdico tenta mediar diálogo entre governistas e bloco liderado por Juan Guaidó desde 2019

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2020 | 10h08

CARACAS - O governo de Nicolás Maduro retomou o diálogo com a Noruega após a visita de delegados noruegueses à Venezuela, informou na quarta-feira, 29, o mandatário venezuelano. O governo não detalhou o conteúdo das conversas com o país nórdico, que mediou em 2019 uma negociação infrutífera com o opositor Juan Guaidó.

"Se reativou este tema dos noruegueses. Meus cumprimentos a esta delegação da Noruega que esteve na Venezuela. E tudo que foi conversado vai continuar", declarou Maduro em transmissão na televisão, sem informar os detalhes da agenda ou de eventuais encontros com opositores.

Guaidó, líder parlamentar reconhecido como presidente da Venezuela por dezenas de nações, também confirmou a esperada chegada dos delegados noruegueses, embora tenha descartado a retomada de negociações com Maduro. A delegação da Noruega tinha a intenção de conhecer a situação atual do país desde o ponto de vista político e humanitário, segundo um comunicado. 

Maduro explicou que a delegação foi recebida pelo ministro de Comunicação e Informação, Jorge Rodríguez, um dos principais negociadores do chavismo em seus diálogos prévios com a oposição. "Eles já sabem de nosso compromisso com o diálogo, a democracia e a liberdade", reafirmou Maduro à emissora estatal.

A visita acontece em um momento em que a Venezuela se prepara para renovar seu Parlamento, único poder em mãos da oposição, em 6 de dezembro.

Em 2019, a oposição e o governo chavista mantiveram negociações nas quais a maioria do Parlamento exigiu novas eleições presidenciais, mas os diálogos foram congelados em agosto por Maduro, em retaliação por duras sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, principal apoiadores de Guaidó.

O líder da oposição classificou de "trapaça" os constantes chamados ao diálogo de Maduro, respaldado por sua vez por Rússia e China. Washington advoga por um diálogo na Venezuela para a formação de um governo de transição que convoque eleições gerais antes do fim do ano, proposta apoiada pela União Europeia. 

Condições 'piores'

Os Estados Unidos afirmaram nesta semana. que as condições para as eleições legislativas da Venezuela em dezembro são "muito piores" do que as do pleito presidencial de 2018. A reeleição de Maduro foi considerada uma fraude por dezenas de países. 

O diplomata Elliott Abrams, representante do governo Donald Trump para questões da crise venezuelana, afirmou que as próximas eleições do país sul-americano já estão "manipuladas". O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela convocou uma votação para 6 de dezembro a fim de eleger os membros da Assembleia Nacional, parlamento unicameral do país, para o período de 2021 a 2026.

Os principais grupos opositores venezuelanos, porém, já anunciaram um boicote. Eles não reconhecem o CNE nomeado pelo Supremo Tribunal de Justiça, que é pró-governo. Por lei, a nomeação desse conselho cabe ao Legislativo, hoje chefiado pelo líder da oposição Juan Guaidó. 

"Com Maduro no poder e em posição de manipular as eleições e seus resultados, não pode haver uma eleição livre e justa", disse Abrams. "As condições para eleições livres e justas estão muito piores do que estavam em maio de 2018, quando Maduro realizou eleições presidenciais que democracias ao redor do mundo classificaram como fraudulentas", acrescentou. 

Questionado sobre a visita da delegação norueguesa quase um ano após o fim de uma tentativa de Oslo de mediar relações entre o governo Maduro e a oposição, Abrams disse que estava em contato com diplomatas do país europeu, mas se mostrou cético quanto à possibilidade de realmente negociar uma transição para a democracia.

"Não posso dizer que estava muito otimista com essa viagem. Parece que o regime decidiu que vai seguir com essa eleição falsa. Mas é sempre animador ver os noruegueses continuarem ativos e engajados. E se chegamos ao ponto de ter uma negociação no próximo mês ou ano, creio que é perfeitamente razoável que a Noruega seja a chave", avaliou o diplomata. / AFP

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