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Maduro retoma retórica anti-EUA

Presidente diz que há plano americano contra a economia venezuelana; Justiça concede prisão domiciliar a Ceballos, opositor detido há 1 ano

O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2015 | 19h48

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, abandonou o tom de conciliação com os Estados Unidos que vinha adotando recentemente e acusou Washington de promover ações para desestabilizar seu país. O chavista afirmou durante uma reunião do Conselho Político da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba) que a Casa Branca comanda um plano orquestrado contra a economia venezuelana.

“Tenho provas de como o Comando Sul infiltrou funcionários na Embaixada dos Estados Unidos na Venezuela para dirigir o ‘plano abutre’ de sabotagem à economia e estimular violência”, afirmou o presidente.

A acusação foi feita num momento em que Caracas e Washington dialogam por uma reaproximação e normalização plena das relações diplomáticas, deterioradas profundamente desde os sucessivos governos de Hugo Chávez. 

Maduro prometeu exibir provas do suposto plano de desestabilização a uma comissão especial com representantes dos EUA que será instalada nos próximos dias em Caracas, afirmou a agência estatal Venezolana de Noticias.

Na semana passada, o governo venezuelano já havia rechaçado declarações de um funcionário do Departamento de Estado americano sobre uma “preocupação” da Casa Branca com a impugnação de seis candidaturas de oposição para a eleição parlamentar venezuelana – marcada para ocorrer no dia 6 de dezembro.

Ao falar sobre os saques a alguns centros de comércio registrados no fim do mês passado ao sul de San Félix, Maduro mencionou declarações dadas há alguns meses pelo chefe do Comando Sul dos EUA, o general John Kelly, em uma sessão do Congresso para debater o risco de um colapso na Venezuela.

“Vocês sabem que um general do Exército dos EUA não profetiza. Ele ordena, executa, atua e a direita maltratada (opositora do governo) executa”, afirmou o governante. 

Nos seus dois anos no cargo, Maduro já acusou os EUA em várias ocasiões de promover ações contra seu governo. A Venezuela passa por uma grave crise econômica caracterizada por uma inflação galopante, câmbio descontrolado e sérios problemas de desabastecimento de bens e produtos básicos.

Alguns opositores têm afirmado que saques a comércios e outras instalações nos últimos dias são uma resposta, na verdade, a um descontentamento da população pelos problemas econômicos do país. Para as autoridades, no entanto, essas ações são parte de um complô contra o governo.

Caracas e Washington iniciaram, em abril, um processo de aproximação com a visita ao país do alto diplomata americano Thomas Shannon – ex-embaixador dos EUA no Brasil – que nos últimos meses havia mantido encontros com autoridades venezuelanas.

As relações entre os dois países entraram em crise em março logo após o presidente americano, Barack Obama, declarar o país uma “ameaça extraordinária para a segurança nacional” e decidir congelar os bens de sete funcionários venezuelanos por supostas violações aos direitos humanos e corrupção. Mas as tensões entre os dois governos haviam se dissipado recentemente. Apesar das divergências e de estarem sem embaixador desde 2010, ambos mantêm um intenso intercâmbio comercial.

Detenção. Patricia Gutiérrez Ceballos, a mulher do opositor Daniel Ceballos – ex-prefeito de San Cristóbal preso há mais de um ano acusado de incitar violência em protesto contra o governo do país – afirmou ontem que a Justiça concedeu a ele uma medida de “prisão domiciliar” por razões de saúde.

Ceballos manteve uma greve de fome de 20 dias entre maio e junho. Ele encerrou o protesto após a Justiça libertar um grupo de presos políticos, incluindo estudantes. Em entrevista à agência EFE, Patrícia, atual prefeita de San Cristóbal, explicou que a Justiça permitiu que seu marido cumpra a prisão domiciliar em um apartamento utilizado por ela e os filhos do casal em Caracas. A transferência, segundo ela, ocorreria na noite de ontem. / AFP e EFE 

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