Maduro rompe com grêmio patronal

Presidente venezuelano diz que proibirá Fedecámaras de comprar dólares para importar bens e matéria-prima para empresas do país

CARACAS, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2015 | 02h04

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou ontem que proibirá empresas ligadas à entidade patronal Fedecámaras de participar dos leilões de dólares feitos pelo governo chavista para a importação de bens e matéria-prima. Maduro, que acusa a organização de promover uma "guerra econômica" contra seu governo", prometeu lançar um novo plano econômico contra a grave crise que afeta o país no dia 1.º de maio.

"Fedecámaras, não tem mais dólares para vocês", disse o presidente em reunião do Estado-Maior Especial Contra a Guerra Econômica - grupo criado por ele para combater a crise. "Os dólares são para alimentar o povo e para os empresários que queiram trabalhar."

Maduro rejeitou qualquer tentativa de diálogo com a entidade patronal, que representa as maiores empresas venezuelanas, e descartou a possibilidade de desmantelar os controles estatais sobre o câmbio e o preço de produtos básicos no país, em vigor desde 2003.

Ambas as medidas são defendidas pelas empresas privadas como um modo de estabilizar a economia, vítima de um desequilíbrio cambial provocado pela restrição à venda de dólares e escassez de divisas, além de inflação e desabastecimento.

"Vejam a mentalidade dessa gente prepotente que diz: 'Maduro deve liberar os preços, Maduro deve liberar o câmbio e nos entregar os dólares.' Os dólares do povo para vocês?", questionou o presidente, que acusou a Fedecámaras - uma das artífices do golpe de Estado frustrado contra Chávez, em 2002 - de "estar em guerra com o país e o povo". "Damos as boas-vindas aos empresários que querem trabalhar. Digam a Jorge Roig (presidente da entidade) que o tempo de mão estendida e sorrisinhos acabou."

A entidade patronal pediu ao governo que cumpra os compromissos assinados em vigor e evite ser alvo de sanções, especialmente na Organização Internacional do Trabalho (OIT).

"Se a Venezuela deixar de cumprir compromissos e convênios, como está fazendo, é evidente que pode sofrer sanções", disse Roig em entrevista na sede da Fedecámaras. " O governo precisa adotar imediatamente ações que criem um clima de confiança com base no respeito às organizações empresariais e sindicais para promover relações profissionais sólidas."

Diplomacia. Ainda ontem, o chanceler da Espanha, José Manuel García-Margallo, anunciou ter convocado para consultas o embaixador espanhol em Caracas, Antonio Pérez Hernández, diante das últimas declarações de Maduro sobre o país e da decisão da Assembleia Nacional venezuelana de declarar o ex-primeiro-ministro Felipe González "persona non grata".

Maduro, que acusou o governo espanhol de apoiar o terrorismos no país e de fazer parte de uma conspiração internacional para derrubá-lo, anunciou que prepara uma resposta muito contundente a Madri.

"Os qualificativos que as autoridades venezuelanas utilizam são absolutamente intoleráveis e, levando em conta o grau de irritação verbal de Maduro, decidi convocar para consultas o embaixador em Caracas", disse García-Margallo.

Segundo o chanceler, a escalada verbal na Venezuela aumenta conforme crescem as dificuldades que o povo do país atravessa. O chefe da diplomacia espanhola disse ainda que seu país sempre se movimentou dentro da legalidade internacional, cortesia e institucionalidade. Ele lembrou ter falado sobre a Venezuela no último Conselho das Relações Exteriores da União Europeia. / EFE

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