Vanessa Carvalho/Brazil Photo Press
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Maduro roubou poder de representantes eleitos, diz Trump 

Presidente americano fez declaração durante o jantar que ofereceu a quatro líderes da América Latina, entre eles o presidente Michel Temer, em Nova York

Cláudia Trevisan, Enviada Especial / Nova York , O Estado de S.Paulo

18 Setembro 2017 | 20h43

Os EUA estão prontos para adotar ações adicionais contra o governo da Venezuela, afirmou nesta segunda-feira o presidente Donald Trump, que pediu aos líderes do Brasil, Colômbia, Panamá e Argentina que estejam preparados para “fazer mais” em relação à crise do país.  “O regime de Nicolás Maduro desafiou o próprio povo e roubou o poder de representantes eleitos para preservar o seu governo desastroso”, disse o americano na abertura de jantar com representantes das quatro nações.

“Nós defendemos a plena restauração da democracia e das liberdades políticas na Venezuela e nós queremos que isso aconteça muito, muito em breve”, ressaltou o anfitrião. Em entrevista depois do encontro, o presidente Michel Temer disse que houve “concordância absoluta” entre os participantes sobre a importância da ajuda humanitária e do restabelecimento da democracia sem uma “intervenção externa”.

No mês passado, Trump declarou que não descartava a possibilidade de uma ação militar para resolver a crise na Venezuela, o que é rejeitado por virtualmente todos os países da região.

Segundo Temer, os participantes do jantar concordaram na necessidade de incorporar países do Caribe à pressão internacional sobre Maduro. Grande parte daquela região continua a apoiar Caracas em votações na Organização dos Estados Americanos (OEA), o que impediu até agora que a instituição agisse na busca de soluções para a instabilidade venezuelana.

O presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, disse que houve concordância sobre a necessidade de os participantes do jantar coordenarem suas ações para “assegurar” que a Venezuela realize eleições presidenciais “transparentes” e “livres” em 2018. Mas ele ressaltou que cada país adotará medidas específicas, de acordo com decisões soberanas.

“Existe consenso geral de que a saída para a crise na Venezuela, que é uma crise humanitária, econômica, é pela via de eleições democráticas que respeitem a vontade popular e dessa forma o país possa encontrar a paz social, que todos queremos”, observou o panamenho.

Temer disse que não foi discutida a imposição de sanções ao país. Os Estados Unidos adotaram sanções financeiras contra a Venezuela e determinaram o congelamento de ativos eventualmente detidos por autoridades venezuelanas em território americano. Entre elas está o próprio Maduro. “Sanções não foram exatamente discutidas. Falou-se em sanções, mas as sanções são sanções verbais”, observou. “Todos querem continuar a pressão para resolver, mas a pressão diplomática.”

A reunião foi a primeira do americano com um grupo de representantes da América Latina. Na avaliação do embaixador do Brasil em Washington, Sergio Amaral, o encontro demonstrou um interesse de Trump pela região que ainda não havia se manifestado.

Temer chegou com cinco minutos de atraso e foi alvo de protesto um pequeno grupo de manifestantes brasileiros. O presidente viajou a Nova York logo depois da posse da nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e foi direto do Aeroporto JFK para o hotel Lotte New York Palace, local do jantar.

Temer faz nesta terça-feira o discurso de abertura da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), tradicionalmente realizado pelo presidente do Brasil. Nesta terça-feira e quarta ele terá reuniões bilaterais com os líderes da Palestina, Mahmoud Abbas, de Israel, Binyamin Netanyahu, do Egito, Abdel Fattah el-Sissi, e do Irã, Hassan Rohani. O presidente retorna ao Brasil no começo da tarde desta quarta-feira. 

 

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