Yuri Cortez/AFP
Yuri Cortez/AFP

Maduro suspende diálogo com a oposição por apoio de Guaidó a bloqueio dos EUA

Nova rodada de conversações deveria ocorrer nos próximos dois dias em Barbados

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2019 | 00h35

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, decidiu nesta quarta-feira suspender a participação de representantes chavistas no processo de diálogo com a oposição em Barbados, mediado pela Noruega, devido ao apoio do líder do parlamento, Juan Guaidó, às novas sanções econômicas aplicadas contra o país pelo governo dos Estados Unidos.

"O presidente Nicolás Maduro decidiu não enviar a delegação venezuelana nesta oportunidade em razão da grave e brutal agressão cometida de maneira contínua e astuciosa por parte do governo (de Donald) Trump contra a Venezuela", disse o governo chavista em nota.

O comunicado é uma reação de Maduro à decisão dos Estados Unidos de impor um bloqueio total aos bens do governo da Venezuela sob jurisdição americana.

O comunicado foi divulgado no Twitter pelo ministro de Comunicação da Venezuela, Jorge Rodríguez. No texto, o integrante do governo de Maduro indica que a equipe escolhida por Guaidó, reconhecido como presidente interino do país por mais de 50 governos, entre eles o Brasil, já está em Barbados para rodada de negociação.

"Os venezuelanos notaram com profunda indignação que o chefe da delegação da oposição, Juan Guaidó, celebra, promove e apoia estas ações lesivas", afirmou o governo chavista, prometendo também revisar o processo de diálogo mediado pela Noruega.

As reuniões entre chavistas e opositores ocorreriam entre esta quinta-feira e sexta-feira. Esta seria a terceira rodada de diálogo entre as partes em Barbados.

Mais cedo, Guaidó reiterou que seguiria no processo de diálogo com Maduro apesar de compartilhar das dúvidas expressadas por alguns dos aliados internacionais da oposição.

Questionado se fazia referência às recentes declarações do assessor de Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Bolton, Guaidó disse que compartilha do ceticismo não só mostrado pelo representante americano, mas também por outros países.

Segundo ele, também expressaram reservas às negociações em Barbados o chanceler do Peru, Néstor Popolizio, e outros integrantes do Grupo Internacional de Contato.  / EFE

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