Maduro telefona a Dilma para avisar que tribunal adiou posse de Chávez

Telefonema foi uma forma velada de o governo venezuelano pedir apoio ao Brasil à manobra executada pelos chavistas para garantir a continuidade da administração

Tânia Monteiro , O Estado de S. Paulo

09 de janeiro de 2013 | 22h57

BRASÍLIA - O vice presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, telefonou no início da noite desta quarta-feira, 9, para a presidente Dilma Rousseff para informar que o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) do país considerou legal o adiamento da posse do presidente venezuelano Hugo Chávez, que se encontra internado em Cuba, em tratamento contra um câncer, e que, mesmo não havendo posse, o novo mandato se inicia hoje.

O telefonema foi uma forma velada de o governo venezuelano, atualmente liderado pelo próprio vice-presidente Nicolás Maduro, pedir apoio ao Brasil à manobra executada pelos chavistas para garantir a continuidade da administração Chavez. Como a decisão da Corte foi que o atual governo pode continuar comandando o país após o dia 10, por até seis meses, ou seja, que o próprio Nicolás Maduro, permanecerá à frente da administração da Venezuela, ao telefonar para Dilma e comunicar a decisão judicial, o venezuelano entende que o governo brasileiro endossa a "saída jurídica" encontrada. Mas, os detalhes como este, de quem fica no comando do país a partir da quinta-feira ou no que foi baseada a decisão, não foram tratados abertamente no telefonema.

O entendimento de autoridades brasileiras, no entanto, é de que Maduro fique mesmo à frente do comando da Venezuela e que poderia ficar por 180 dias, conforme já havia sinalizado o assessor internacional de Dilma, Marco Aurélio Garcia, em entrevista, na terça-feira.

O próprio Marco Aurélio Garcia acompanhou o telefonema de Maduro para Dilma, pouco depois das 19 horas, no Palácio da Alvorada, e que teria sido muito rápido. Marco Aurélio foi o emissário de Dilma a Cuba, na virada do ano, para saber do real estado de saúde de Chavez. Na conversa, Dilma perguntou a Maduro sobre o presidente venezuelano, e ouviu que o quadro dele é "estável". Dilma agradeceu a "cortesia" de Maduro em lhe informar sobre a decisão do tribunal e pediu ao vice venezuelano, que transmitisse votos de melhoras para Chavez e sua família.

O Brasil não vai enviar nenhum representante à cerimônia de oficialização da continuidade do governo Chavez, em Caracas. Se houver algum tipo de convite, apenas o embaixador brasileiro em Caracas estará presente. Auxiliares da presidente insistem que não há nenhuma preocupação ou risco de instabilidade política no país.

O governo brasileiro negou ainda que tenha recebido uma "carta aberta" de personalidades venezuelanas repudiando as declarações do assessor internacional de Dilma, Marco Aurélio Garcia, sobre a situação na Venezuela. Na terça-feira, em entrevista, Garcia reproduziu a interpretação da constituição venezuelana feita pelos chavistas, de que caso o presidente não pudesse tomar posse no próximo dia 10, o vice de Chávez poderia ficar no poder por até seis meses (90 dias prorrogáveis por mais 90 dias).

Na ocasião, ele justificou que não haveria descontinuidade do governo porque Chavez iria suceder a ele mesmo. A carta foi divulgada pelo site venezuelano El Universal, que "rechaçou categoricamente" as afirmações de Garcia, considerando-as "perigosas" e "uma ingerência" em assuntos internos de outro Estado. A carta não havia chegado até a noite desta quarta nem ao Planalto, nem ao Itamaraty.

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