AFP PHOTO / Carlos Becerra
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Maduro usa três rivais para legitimar votação

Governo venezuelano busca dar aspecto de normalidade à eleição antecipada para 22 de abril pedindo que ONU envie observadores

O Estado de S.Paulo

27 Fevereiro 2018 | 21h55

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, formalizou neste terça-feira, 27, sua candidatura à reeleição no Conselho Nacional Eleitoral (CNE), o que definiu o quadro das eleições presidenciais antecipadas para 22 de abril. O líder venezuelano terá três rivais na campanha: o dissidente e e-governador Henri Falcón, o pastor Javier Bertucci e Reinado Quijada, chavista afastado do governo. Apesar de 75% de rejeição, analistas dizem que Maduro é favorito.

De acordo com o Instituto Venezuelano de Análises de Dados, Falcón, ex-chavista que já foi governador do Estado de Lara e anunciou sua candidatura na noite da segunda-feira, tem 23,6% das intenções de voto. O presidente, segundo a pesquisa, está com 17,6%.

Analistas estimam, no entanto, que Falcón esteja longe de representar um perigo real para Maduro, em razão do vasto controle institucional e social por parte do chavismo e sua máquina governamental. “Falcón pode atrair alguns opositores, mas seu impacto será mínimo”, afirmou Francine Jácome, do Instituto Venezuelano de Estudos Sociais e Políticos.

As candidaturas rivais são consideradas uma oportunidade para o governo legitimar o processo eleitoral, que foi antecipado pelo chavismo. Outra manobra para tentar dar um verniz legal ao processo eleitoral foi realizada na ONU. 

O lançamento de Falcón como candidato ocorre na contração da orientação dos partidores opositores, que queriam boicotar e eleição. Mas agora o plano de oposição cai por terra, já que um pré-candidato propicia que Maduro apresente à sociedade e aos órgãos fiscalizadores um cenário de aparente democracia e espaço para manifestações política. 

Falcon já serviu como assessor do ex-presidente, Hugo Chavez, mas depois rompeu com o Partido Socialista e se uniu à oposição, liderando o partido Avanço Progressista.

Nesta segunda, as Nações Unidas confirmaram estar analisando um pedido da Venezuela para o envio de observadores internacionais. Caracas quer que o ex-premiê espanhol, o socialista José Luis Rodríguez Zapatero – que já mediou o diálogo entre a oposição e o chavismo na República Dominicana –, lidere a comitiva designada para monitorar a eleição. A oposição, no entanto, acusa Zapatero de servir à estratégia chavista. 

A Mesa de Unidade Democrática (MUD), coalizão de partidos opositores, cujos principais líderes estão inabilitados, reafirmou nesta segunda que participará da eleição apenas se puder lançar candidato único. A aliança foi proibida de postular candidaturas em janeiro por concentrar vários partidos. / AFP e EFE

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