Palácio Miraflores / Reuters
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Maduro vendeu 7,4 toneladas de ouro venezuelano na África, diz jornal dos EUA

Mercadoria foi negociada pelo valor de US$ 300 milhões, enviada à Uganda em um avião russo

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2019 | 16h14

NOVA YORK - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, vendeu em março 7,4 toneladas de ouro procedente das reservas do país - por um valor de US$ 300 milhões - para refiná-lo na África e assim evitar as sanções americanas, afirmou nesta terça-feira, 18, o jornal The Wall Street Journal.

Segundo revelou o jornal, o metal precioso viajou da Venezuela até Uganda em um avião russo, onde a carga estava identificada como propriedade do Banco Central do país, para seu refinamento antes de ser exportado ao Oriente Médio, de acordo com fontes diplomáticas e policiais de ambos países.

A liquidação das reservas de ouro é uma das maneiras de Maduro de se manter à frente do governo, asseguraram tais fontes, em meio à disputa interna por poder que trava com o chefe do parlamento, Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino da Venezuela por mais de 50 países, incluindo o Brasil.

Os Estados Unidos impuseram sanções à venda do ouro venezuelano em novembro do ano passado. Entretanto, desde então, o metal continuou sendo colocado à venda em segredo.

Uma amostra são os dois envios de 3,8 e 3,6 toneladas a Uganda para o tratamento e posterior envio ao Oriente Médio, com a Turquia como destino final.

Como intermediário atuou uma empresa de Dubai chamada Goetz Gold, embora a companhia tenha afirmado que tal carga não foi enviada a Ancara.

Apenas o primeiro lote desapareceu, enquanto o segundo foi interceptado pela polícia ugandense, que identificou os lingotes com rótulos que certificavam sua procedência venezuelana e que os datavam da década de 1940.

Contudo, três semanas depois da apreensão, o procurador-geral do país ordenou a liberação da carga, cujo rastro se perdeu.

Esta não seria a primeira carga enviada neste ano, uma vez que em janeiro teria ocorrido o envio de 20 toneladas, segundo denunciou o opositor José Guerra, antigo economista do Banco Central.

Isto fez com que o assessor de segurança nacional americano, John Bolton, advertisse Turquia e Emirados Árabes a não comprar da Venezuela estes bens "roubados do povo venezuelano pela máfia de Maduro". / EFE

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