Miraflores Palace / Reuters
Miraflores Palace / Reuters

Maduro liga Brasil a plano para derrubá-lo e acusa EUA de orientar Bolsonaro a provocá-lo

Líder venezuelano diz que o assessor de Segurança Nacional dos EUA orientou presidente eleito brasileiro a realizar missões de provocações militares na fronteira

O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2018 | 16h26

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, denunciou nesta quarta-feira, 12, um suposto plano dos Estados Unidos para derrubá-lo e até mesmo assassiná-lo. O chavista disse que os governos de Brasil e Colômbia também participariam deste complô.

"Chegou a nós uma boa informação (...) John Bolton (assessor de Segurança Nacional dos EUA) desesperado, designando missões para provocações militares na fronteira", disse Maduro. Segundo ele, essas instruções foram transmitidas ao presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro.

No domingo 9, o presidente venezuelano já havia denunciado a ativação por Washington de um plano para dar-lhe um golpe de Estado com o apoio da Colômbia, mas na ocasião ele não mencionou o Brasil.

Bolton e Bolsonaro se reuniram em 29 de novembro na residência do presidente eleito do Brasil, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, no primeiro encontro de alto nível entre o governo de Donald Trump e o futuro presidente brasileiro.

"As forças militares do Brasil querem paz. Ninguém no Brasil quer que o futuro governo de Jair Bolsonaro se meta em uma aventura militar contra o povo da Venezuela", declarou Maduro durante coletiva com correspondentes estrangeiros em Caracas.

Maduro, que em 10 de janeiro dará início a um segundo mandato de seis anos, afirmou que o complô é comandado por Bolton e inclui o treinamento de tropas regulares nos Estados Unidos e irregulares na Colômbia. "Venho mais uma vez denunciar o complô que se prepara na Casa Branca para violentar a democracia venezuelana, para me assassinar e para impor um governo ditatorial na Venezuela", afirmou.

"O senhor John Bolton foi novamente apontado como chefe do plano, do complô, para encher de violência a Venezuela e buscar uma intervenção militar estrangeira, um golpe de Estado e impor o que eles chamam de um conselho de governo transitório", ressaltou Maduro, explicando que sua denúncia teve base em "fontes internacionais cruzadas". 

Exercícios militares. 

Nesta semana, o governo da Venezuela recebeu aviões de guerra vindos da Rússia para serem utilizados em manobras militares. Em novembro, os EUA estudaram incluir a Venezuela na lista de países patrocinadores do terrorismo internacional. Para o governo americano, o país latino-americano teria ligações com o Hezbollah e com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Maduro já havia condenado as afirmações do presidente colombiano, Iván Duque, sobre abandonar a relação diplomática entre os dois países. 

Embora a maioria dos governos latino-americanos rejeite uma intervenção militar na Venezuela, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, disse que a opção não poderia ser descartada. Oficialmente, o governo americano diz que todas opções para a crise venezuelana estão sendo consideradas, ainda que uma intervenção enfrente objeções dentro e fora da administração de Donald Trump.   Analistas veem uma ação militar no país como algo improvável. / AP e AFP

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