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Mãe de brasileira morta na Nicarágua reclama de falta de apoio

Em entrevista à Rádio Nacional de Brasília, Maria José da Costa disse que ainda não recebeu informações das autoridades brasileiras e que sua principal preocupação no momento é garantir o retorno do corpo da filha para um enterro digno

O Estado de S.Paulo

25 Julho 2018 | 16h25

A mãe da estudante universitária brasileira Raynéia Gabrielle Lima, morta na noite de segunda-feira em Manágua, capital da Nicarágua, afirmou nesta quarta, 25, que até o momento não recebeu informações ou ajuda das autoridades brasileiras.

Em entrevista à Rádio Nacional de Brasília, programa da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Maria José da Costa afirmou que sua principal preocupação no momento é o retorno do corpo de Raynéia ao País para que ela possa ser enterrada de forma digna.

Ela também espera que a embaixada brasileira atue junto das autoridades nicaraguenses para identificar e punir os responsáveis pelo assassinato da filha, que estudava medicina no país caribenho.

“Estou às cegas. Minha filha morreu há mais de 24 horas e ninguém toma providências. Eu quero que ela volte o mais rápido possível para Pernambuco, para ter o enterro que merece”, disse Maria José ao programa Revista Brasil, da EBC.

Maria José se emocionou em diversos momentos da entrevista. “Estou sem condições de fazer algo na minha vida. Sem condições até para respirar. Minha filha estava estudando para realizar o sonho que não conseguia realizar no Brasil. Retiraram para sempre todo o sonho dela, que desde os oito anos de idade dizia querer ser doutora para ajudar as pessoas.”

A mãe da jovem aproveitou a entrevista à emissora estatal para fazer um apelo ao governo. “Pelo amor de Deus, tragam o corpo de minha filha, que está há mais de um dia em uma gaveta congelando. Tragam o mais rápido possível para que ela tenha seu descanso eterno. É muita dor, muito sofrimento, que estamos passando.”

Segundo ela, Raynéia não costumava participar de manifestações políticas nem passeatas - desde abril, o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, enfrenta uma série de protestos que pedem sua saída.

“Raynéia não gostava disso. Era uma filha dedicada que a toda hora falava que me amava. O que vai ser da minha vida agora, sem ela? Essa dor nunca vai passar. Quem tirou a vida dela vai ter de pagar por isso”, disse Maria José.

Ela também afirmou que as poucas informações que obteve da filha foram dadas pelo sogro de Raynéia, que é quem pagava pelo curso de medicina da estudante na Nicarágua. “Ele (o sogro) não era de ligar para mim. Quando recebi a ligação pensei de imediato que algo de ruim havia acontecido com minha filha. Entrei em desespero”, disse a aposentada.

“Minha filha já tinha tudo planejado para o seu retorno ao Brasil. Até julho ela viria para o Recife, onde iria fazer a prova do Revalida, para poder exercer a profissão de médica por aqui e ajudar a salvar vidas”, disse Maria José.

Itamaraty

De acordo com a Agência Brasil, o Itamaraty disse ter entrado em contato com o pai de Raynéia, Ridevando Pereira, e com o meio-irmão da estudante, Sandro Diego Mendonça, além da ex-cunhada Juliana Holanda. 

A chancelaria brasileira também informou que tentou entrar em contato com Maria José por volta das 18h15 de terça-feira, mas que, em função do estado emocional dela no momento, foi solicitado pela família que a ligação fosse feita em outro momento - o que ainda não teria ocorrido.

"A Embaixada do Brasil em Manágua está prestando todo o apoio cabível no sentido de obter a documentação necessária para a liberação do corpo e providenciando o levantamento dos custos pertinentes, informando-os à família. Os procedimentos médico-legais são de competência exclusiva das autoridades da Nicarágua, responsáveis pela liberação do corpo. O governo brasileiro e a Embaixada em Manágua têm insistido junto às autoridades nicaraguenses sobre a necessidade imperiosa de pronta elucidação do caso." / AGÊNCIA BRASIL

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