Mãe de jornalista diz que diretor do FMI tentou estuprar sua filha em 2002

Vereadora socialista afirmou que teria convencido a filha a não fazer denúncia contra companheiro de partido.

Daniela Fernandes, BBC

16 de maio de 2011 | 08h33

Uma outra suposta tentativa de estupro que teria sido cometida em 2002 na França por Dominique Strauss-Kahn, diretor-geral do Fundo Monetário Internacional, veio à tona na mídia francesa após sua prisão nos Estados Unidos, no sábado, sob a acusação de ter abusado sexualmente de uma camareira de hotel, em Nova York.

Anne Mansouret, uma vereadora socialista da região da Alta-Normandia, deu uma entrevista no domingo ao jornal Paris Normandie na qual afirma que sua filha, a jornalista Tristane Banon, sofreu uma tentativa de estupro por parte de Dominique Strauss-Kahn, em 2002.

O advogado de Tristane Banon, David Koubbi, declarou nesta segunda-feira que sua cliente está considerando a possibilidade de prestar queixa contra Stauss-Kahn.

A vereadora Anne Mansouret diz que hoje se arrepende de ter convencido sua filha, na época, a não prestar queixas contra seu então correligionário do Partido Socialista.

A jornalista e escritora Tristane Banon, contou que, em 2002, quando tinha 22 anos, estava entrevistando Dominique Strauss-Kahn para um de seus livros, quando ele tentou violentá-la.

Mas a revelação só feita por ela em 2007, em uma entrevista a um programa de TV.

No entanto, na ocasião, o nome do autor da suposta agressão sexual foi ocultado dos telespectadores pelo ruído de um bip colocado pelos técnicos que editaram o programa.

Tema antigo

Mas o assunto circulou na internet na ocasião e foi retomado amplamente pela imprensa francesa nesta segunda-feira.

"Minha filha estava muito mal, mas era uma questão muito delicada por razões familiares e de amizade", disse Mansouret, acrescentando que Tristane Banon é afilhada da segunda esposa de Strauss-Kahn, a jornalista Anne Sinclair, e também muito amiga da filha do diretor-geral do Fundo Monetário Internacional.

"Strauss-Kahn é doente. Não é uma injúria dizer isso. Ele tem um problema real: ele é viciado em sexo, como outros têm problemas com álcool, drogas ou jogo. Sobre o caso americano, não posso me pronunciar. No entanto, sou categórica: ele tentou abusar (sexualmente) de Tristane", disse a mãe na entrevista.

'Chimpanzé no cio'

Banon havia afirmado no programa de TV do apresentador Thierry Ardisson que Strauss-Kahn "é um chimpanzé no cio".

Segundo ela, o socialista quis segurar sua mão durante a entrevista e depois seu braço. "Acabamos nos agredindo, no chão. Eu dava chutes e ele tirou meu sutiã e quis tirar minha calça jeans", afirmou no programa, que cortou o nome do agressor cada vez que ele foi pronunciado.

De acordo com a imprensa francesa, a jovem não deseja fazer comentários no momento. Ele deverá dar uma coletiva à imprensa nos próximos dias, em que deve, acredita-se, reiterar as acusações.

Strauss-Khan ainda poderia ser eventualmente processado na França por essa suposta tentativa de estupro, caso os fatos sejam confirmados.

Segundo a legislação francesa, Banon ainda poderia prestar queixa já que os supostos fatos não teriam sofrido prescrição.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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