Mãe de jovem decapitada diz perdoar os que mantiveram sentença de morte

Quando tinha apenas 17 anos, Rizana foi condenada na Arábia Saudita acusada de asfixiar um bebê.

BBC Brasil, BBC

24 de janeiro de 2013 | 09h15

A mãe de uma empregada doméstica do Sri Lanka decapitada na Arábia Saudita perdoou aqueles que, segundo ela, queriam que a filha fosse executada.

Segundo Rafeena Nafeek, a filha Rizana era inocente e foi injustamente condenada por matar um bebê em 2005.

Rizana ficou presa oito anos e o governo saudita negou-se a mudar sua pena, apesar dos apelos de grupos de defesa dos direitos humanos, alegando que os pais do bebê se opunham a isso.

Os registros mostram que Rizana tinha apenas 17 anos quando o bebê morreu, o que faria de sua condenação à morte uma violação dos direitos internacionais da criança.

Seus pais, que vivem em uma casa humilde no Leste do Sri Lanka, chegaram à Arábia Saudita duas semanas depois de ela ser executada.

Chorando, Rafeena disse ter perdoado os pais do bebê, que insistiram na decapitação de sua filha.

"Não adianta culpar ninguém - Rizana foi embora", ela disse à BBC.

"Só soubemos da execução dela pela mídia. Eles (as autoridades sauditas) deviam pelo menos ter nos informado. Até nosso pedido para levar seu corpo para o Sri Lanka foi negado."

Problema social

Antes de morrer, Rizana teria pedido que os pais se empenhassem pela educação de seus irmãos mais novos.

Rafeena aconselhou outras famílias pobres a não enviarem suas filhas para trabalharem como domésticas na Arábia Saudita ou qualquer outro lugar.

Nesta semana, duas adolescentes do Sri Lanka foram apreendidas tentando entrar no país vizinho, que é criticado por ONGs por suas condenações à morte e leis duras restringindo direitos femininos.

Segundo Charles Haviland, correspondente da BBC em Colombo, capital do Sri Lanka, aparentemente o passaporte de Rizana foi falsificado quando ela foi para a Arábia Saudita, indicando que ela teria 23 anos, em vez de 17.

O bebê saudita morreu quando estava sob cuidados da menina, no que Rizana dizia ter sido um acidente. O entendimento dos tribunais sauditas, porém, foi que a criança foi estrangulada.

Alguns grupos de defesa dos direitos humanos denunciam que o julgamento não foi justo porque Rizana não teve direito nem a um tradutor nem a um advogado.

Nafeek rejeitou uma oferta de indenização da Arábia Saudita, alegando que não poderia aceitar nada "do país que matou Rizana".

Na terça-feira (dia 22), o presidente do Sri Lanka entregou à família US$ 7.800 (R$ 25.150). BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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