Mãe de suspeito de terrorismo diz que filho é inocente

A foto divulgada pelo FBI mostra o rosto e o nome de seu filho, mas Nafisa Jarrah - mãe do jovem que, segundo o FBI, seqüestrou o avião que teria caído na Pensilvânia - assegura que se trata de um erro monumental. Segundo ela, Ziad era "um rapaz muito bom e gentil", que tinha muitos projetos para o futuro. "Estava para casar-se. Adorava os EUA, para onde sempre havia sonhado mudar-se", disse. Alguém - ela sustenta - deve ter roubado o passaporte do filho, ou também é possível que Ziad, de 26 anos, estivesse indo de férias para San Francisco, mas uma coisa para ela é certa: "Ziad não é um terrorista". "Estou certa de que ele está vivo", explica a mãe, que desde a terça-feira passada se trancou em sua casa no povoado de Almarj, no Líbano. "Provavelmente ele está escondido em algum lugar, e tem medo demais para nos ligar", diz entre lágrimas. Nafisa, de 55 anos, aceitou falar com uma jornalista do jornal britânico Mirror porque quer contar "a verdade" sobre seu filho: "Sei que todo mundo se pergunta como eu pude criar um monstro", diz chorando. "Ziad não é um monstro, seu coração não está cheio de ódio. É o nosso único filho varão, nunca lhe faltou nada, somos uma família aberta e tolerante e ele não é um fanático". O jovem, segundo Nafisa, freqüentou escolas cristãs. Seus pais não se oporiam se ele quisesse casar-se com uma mulher não-muçulmana, e uma de suas duas irmãs freqüenta a universidade norte-americana de Beirute. Ziad Jarrah deixou o Líbano em 1996 rumo à Alemanha, onde - em Greifswald - se inscreveu num curso de engenharia aeronáutica. Justamente na Alemanha, onde viveu até 1999, estudando na universidade de Hamburgo, ele conheceu Asle Sengun, uma turca de 21 anos, estudante de medicina. Ficaram noivos, e pretendiam casar-se no ano que vem. Em 1999 o suposto seqüestrador se transferiu para a Flórida. Seu pai, Samir, enviou dinheiro para ele se matricular num curso de meio período para pilotos. Há um ano e meio, repentinamente, o jovem desapareceu. Asle, preocupada, ligou para seus futuros sogros, explicando que Ziad havia partido para o Afeganistão. Poucos meses depois, no entanto, o jovem voltou para sua casa em Miami, e parecia o mesmo de antes. "Voltou a juntar-se a nós em fevereiro - contou a mãe - quando meu marido foi operado do coração". Dois dias antes da tragédia de 11 de setembro, Ziad telefonou para seus pais. "Estava alegre e tranqüilo como sempre", contou Nafisa. "Pediu ao pai que deixasse de fumar e o fez prometer que continuaria tomando regularmente as pílulas para o coração" acrescentou. Dois dias depois, segundo o FBI, Ziad iniciou sua missão mortal. O avião que seqüestrou estava dirigido, de acordo com o serviço secreto norte-americano, contra o presidente George W. Bush, quer ele estivesse na Casa Branca, em Camp David ou a bordo do Air Force One.

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