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Mãe de terrorista suicida diz que ele era uma 'panela de pressão' na Bélgica

Bilal Hadfi, de 20 anos, estava entre os terroristas suicidas que detonaram coletes-bomba do lado de fora do Stade de France; ele viajou escondido para a Síria em fevereiro, depois de se radicalizar

O Estado de S. Paulo

18 de novembro de 2015 | 11h53

BRUXELAS - A mãe de Bilal Hadfi, um dos terroristas suicidas que detonaram coletes-bomba do lado de fora do Stade de France, afirmou dez dias antes dos atentados em Paris que tinha medo de que seu filho de 20 anos fosse "explodir de um dia para o outro", ao descrevê-lo como uma "panela de pressão" na Bélgica, informou nesta quarta-feira, 18, o jornal "La Libre Belgique".

A mulher, Fatima, concedeu em 3 de novembro uma entrevista a essa publicação, na qual disse ter medo de receber uma mensagem com o anúncio da morte de seu filho, uma declaração que ganhou um novo sentido por causa dos atentados em Paris. 

Hadfi, de 20 anos, era o filho mais novo de Fátima. Seu pai faleceu há oito anos e está enterrado no Marrocos. Ele tinha dois irmãos e uma irmã. De nacionalidade francesa, Hadfi vivia com sua família há vários anos na Bélgica, onde moraram em uma residência popular em Bruxelas até se mudarem para outro apartamento na capital belga.

O jovem viajou subitamente no dia 15 de fevereiro para a Síria sem avisar sua família, fingindo ter ido ao Marrocos para "recarregar as baterias" e visitar o túmulo de seu pai. 

A mãe relatou há duas semanas que, um dia antes, seu filho a visitou pela última vez, mas não se comportou como sempre. Tinha "os olhos vermelhos e me abraçou", contou. Fatima está convicta de que ele "sabia que era uma viagem sem volta".

Nos três dias seguintes, Bilal ligou para ela em várias ocasiões durante a viagem, mas no quarto seus outros três filhos a visitaram para lhe informar que o irmão tinha viajado à Síria.

Fatima desconhecia com que pessoas seu filho mais novo se relacionava, mas notou mudanças em seu comportamento, porque deixou "de fumar cigarros e haxixe" e "jejuou nas segundas-feiras e nas quintas para pedir perdão a Deus". Ela, no entanto, via como positivo ele se arrepender e deixar o álcool e a drogas.

Radicalização. Uma de suas ex-professoras do ensino médio descreveu o estudante como uma pessoa "politizada", que havia se radicalizado em poucos meses. Sara Stacino afirmou à rede de televisão belga "VRT" que depois do ataque à revista satírica francesa "Charlie Hebdo", em janeiro, Hadfi defendeu o atentado, argumentou que os "insultos à religião" deveriam parar e que era preciso "acabar com a liberdade de expressão".

A professora de história se inquietou e informou sobre este comportamento ao conselho estudantil local e à direção do colégio onde Bilal estudava.

Já na Síria, o suicida pediu a seus irmãos que não chorassem por ele, que era sua decisão se unir ao grupo terrorista Estado Islâmico (EI). Ele teria dito, segundo o "La Libre Belgique", que na Bélgica "não tinha um lugar".

Fatima tentou manter contato com seu filho e não informou o caso à polícia, já que temia que isso evitasse seu retorno. Bilal jamais disse onde estava, mas pediu a sua mãe que se unisse a ele na Síria para participar da criação do EI. Ele queria que ela rompesse todos os laços com a Bélgica, a qual chamava de "país dos infiéis".

Em 8 de março, a polícia belga entrou no apartamento de Fatima para uma operação de busca e apreensão e deteve seu filho mais velho. Desde então, Bilal Hadfi estava registrado em uma lista do Órgão de Coordenação para a Análise das Ameaças (OCAM). Fatima garantiu antes dos atentados que não tinha notícias de seu filho havia três meses. / EFE

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